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Hormônio do Crescimento (GH): tudo o que você precisa saber

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Por: Ellen Duarte

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Criança medindo a altura em consultório, para entender a necessidade de uso do hormônio de crescimento (GH)

Hormônio do crescimento (GH) é um daqueles assuntos que muita gente associa apenas à altura das crianças. Mas a atuação desse hormônio vai muito além disso. Ele participa do crescimento dos ossos, influencia o metabolismo, interfere no sono, ajuda na composição corporal e até desempenha papel importante na regulação da glicemia.

Produzido naturalmente pela hipófise – uma pequena glândula localizada na base do cérebro – o GH funciona como um “mensageiro” do organismo. Ele envia sinais para diferentes tecidos do corpo crescerem, se regenerarem e manterem funções essenciais em equilíbrio.

E quando há excesso ou deficiência desse hormônio? O corpo costuma dar sinais importantes.

Nos últimos anos, o tema também ganhou destaque por causa do uso do GH em adultos com objetivo estético e ganho muscular, um assunto que exige atenção.

Entenda o que o hormônio do crescimento faz no corpo, quais são seus efeitos, quando a reposição pode ser indicada e quais cuidados são indicados.

Como o hormônio do crescimento atua no corpo?

O hormônio tem papel fundamental principalmente na infância e adolescência. É nessa fase que ele ajuda o organismo a atingir o crescimento esperado para cada idade.

Na prática, o GH estimula:

  • crescimento dos ossos;
  • desenvolvimento muscular;
  • formação de tecidos;
  • renovação celular;
  • metabolismo das gorduras; e
  • equilíbrio energético do corpo.

Durante a infância, ele atua diretamente nas cartilagens de crescimento dos ossos longos, como pernas e braços. É por isso que crianças com deficiência significativa de GH podem apresentar baixa estatura.

Mas o GH não trabalha sozinho. Grande parte de seus efeitos acontece por meio de uma substância chamada IGF-1 (fator de crescimento semelhante à insulina), produzida principalmente pelo fígado.

E existe um detalhe curioso: a maior liberação do GH acontece durante o sono profundo. Ou seja, crianças que dormem mal podem ter prejuízos importantes no desenvolvimento.

Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), o hormônio do crescimento também participa da manutenção da massa muscular, da saúde óssea e do metabolismo ao longo da vida adulta.

Quando o GH está alto ou baixo, o corpo costuma responder

Nem sempre o problema está apenas na falta do hormônio. O excesso também pode trazer consequências importantes.

GH alto: quando o excesso causa alterações no organismo

O aumento excessivo do GH pode acontecer por alterações na hipófise, como tumores benignos chamados adenomas hipofisários. Nas crianças, esse excesso pode causar gigantismo, condição caracterizada pelo crescimento exagerado da estatura.

Já em adultos, o excesso de GH pode levar à acromegalia, doença marcada pelo crescimento de extremidades e tecidos.

Os sinais mais comuns incluem:

  • aumento das mãos e pés;
  • crescimento do nariz e queixo;
  • dores articulares;
  • suor excessivo;
  • hipertensão;
  • alterações cardíacas;
  • resistência à insulina; e
  • maior risco de diabetes tipo 2.

Segundo dados da Mayo Clinic (2025), a acromegalia pode se desenvolver lentamente ao longo de anos, dificultando o diagnóstico precoce.

GH baixo: impactos que vão além da altura

A deficiência do hormônio do crescimento pode aparecer na infância ou na vida adulta.

Nas crianças, os principais sinais incluem:

  • crescimento abaixo do esperado;
  • atraso no desenvolvimento;
  • menor ganho de massa muscular; e
  • alterações na composição corporal.

Em adultos, a deficiência pode estar relacionada a:

  • fadiga;
  • aumento de gordura corporal;
  • redução da massa muscular;
  • diminuição da densidade óssea; e
  • redução da qualidade de vida.

Por isso, o diagnóstico precisa ser feito por um especialista — só ele pode avaliar o quadro completo e indicar o tratamento certo.

Quando a reposição do GH pode ser indicada?

O uso do GH injetável possui indicações médicas específicas e deve ocorrer sempre com acompanhamento especializado.

Entre as principais situações em que a reposição pode ser indicada estão:

  • deficiência comprovada de GH;
  • crianças PIG (Pequenas para Idade Gestacional);
  • síndrome de Turner (uma condição genética que afeta meninas e pode causar baixa estatura e alterações hormonais);
  • síndrome de Prader-Willi (doença genética rara associada a dificuldades no desenvolvimento, alterações musculares e aumento excessivo do apetite);
  • insuficiência renal crônica; e
  • algumas alterações genéticas associadas ao crescimento.

E aqui existe um ponto essencial: o acompanhamento médico contínuo faz toda diferença. O uso inadequado do GH pode causar efeitos colaterais importantes e trazer riscos à saúde.

Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), medicamentos hormonais devem ser utilizados apenas com prescrição e monitoramento especializado.

O elo silencioso entre hormônio do crescimento e sono

Existe uma relação direta entre qualidade do sono e produção de GH. A maior parte da liberação do hormônio do crescimento acontece durante as fases profundas do sono, especialmente nas primeiras horas da noite.

Na prática, isso significa que crianças que dormem pouco ou possuem rotina irregular podem ter impacto na produção hormonal.

Pense no sono como uma janela biológica de manutenção. Enquanto o corpo descansa, ele também cresce, repara tecidos e regula funções importantes.

Alguns hábitos ajudam nessa produção natural:

  • horários regulares para dormir;
  • evitar telas antes de dormir;
  • ambiente escuro e silencioso; e
  • rotina noturna previsível.

A privação de sono pode afetar funções hormonais e metabólicas importantes no organismo.

GH e prática física: o que é mito e o que merece cautela

O uso do hormônio do crescimento em adultos para ganho muscular virou tema frequente em academias e redes sociais. Mas os resultados nem sempre correspondem às expectativas.

Embora alguns estudos apontem aumento discreto de massa muscular, isso não significa ganho proporcional de força muscular.

Além disso, os riscos de tomar GH sem necessidade médica incluem:

  • retenção de líquidos;
  • dores articulares;
  • resistência à insulina;
  • alterações cardiovasculares; e
  • aumento do risco metabólico.

Segundo revisão publicada no periódico científico Annals of Internal Medicine (2026), o uso de GH para melhora estética ou performance esportiva apresenta benefícios limitados e riscos relevantes.

O hormônio do crescimento também influencia glicemia e ansiedade

Pesquisas recentes da USP vêm investigando novos efeitos do GH no organismo. Um deles analisa a relação do hormônio do crescimento com a regulação da glicemia e a sensibilidade à insulina. Outro investiga possíveis impactos nos mecanismos relacionados à ansiedade.

Essas descobertas ajudam a mostrar como o GH participa de funções muito mais amplas do que apenas crescimento corporal.

Segundo pesquisa da Universidade de São Paulo (USP, 2025), alterações hormonais podem influenciar diretamente mecanismos metabólicos e neurológicos importantes.

Perguntas frequentes sobre hormônio do crescimento 

O GH faz crescer depois da adolescência?

Não, o GH não faz mais crescer em altura depois da adolescência. Do ponto de vista da fisiologia óssea, o crescimento linear (em estatura) se torna impossível assim que a adolescência termina, pois há o fechamento das epífises ósseas.

O hormônio do crescimento emagrece?

O GH pode influenciar metabolismo e composição corporal, mas não deve ser usado com finalidade estética, pois traz sérios riscos à saúde.

Crianças baixas sempre precisam tomar GH?

Não. A baixa estatura pode ter diferentes causas e precisa ser investigada por especialistas.

Dormir mal pode afetar a produção de GH?

Sim. A maior liberação do hormônio acontece durante o sono profundo.

Quando o GH está em equilíbrio, o corpo responde melhor 

O hormônio do crescimento exerce funções essenciais em diferentes fases da vida. Ele participa do crescimento infantil, do metabolismo, da composição corporal e até da regulação hormonal ligada ao sono e à glicemia.

Ao mesmo tempo, alterações nos níveis desse hormônio podem trazer impactos importantes para a saúde – tanto pelo excesso quanto pela deficiência.

Por isso, nenhuma decisão sobre o uso do GH deve ser tomada sem conversar com um médico de confiança. Seja no tratamento infantil, seja na fase adulta, o acompanhamento com endocrinologista e pediatra é indispensável para garantir segurança e eficácia.

Entender como o corpo funciona é um passo importante para fazer escolhas mais conscientes sobre saúde e bem-estar. E, diante de qualquer suspeita de alteração hormonal, buscar avaliação médica faz toda diferença.

Fontes:

Mayo Clinic

Annals of Internal Medicine

Tua Saúde

Nav Dasa

Jornal da USP

Este artigo foi revisado pela médica endocrinologista Dra Thaís Pereira Costa Magalhães CRMMG 36771 drathaismagalhaes.com.br

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