Como tratar queloide ou uma cicatriz que ficou alta, avermelhada e endurecida depois de uma cirurgia, queimadura ou ferimento? Antes de pensar em tratamento, é importante entender que nem toda cicatriz que fica em relevo é um queloide.
A cicatrização é uma resposta natural do organismo para reparar a pele depois de uma lesão. Nesse processo, o corpo produz colágeno e outros componentes para reconstruir o tecido. Em algumas pessoas, porém, essa produção acontece de maneira exagerada e pode resultar em cicatrizes elevadas, como as cicatrizes hipertróficas e os queloides.
À primeira vista, os dois podem parecer iguais. Mas saber diferenciar queloide de cicatriz hipertrófica é importante para entender como cada uma se comporta, quais cuidados podem ajudar e quais tratamentos podem ser indicados.
Por isso, vale conhecer como essas cicatrizes surgem, quem tem maior risco de desenvolvê-las e quais cuidados podem ajudar a evitar que uma cicatriz ganhe volume, coce ou fique mais evidente.
Qual a diferença entre queloide e cicatriz hipertrófica?
As duas alterações acontecem quando há uma produção excessiva de tecido cicatricial durante a reparação da pele. A principal diferença está no comportamento da cicatriz em relação à área que foi lesionada.
A cicatriz hipertrófica permanece dentro dos limites da ferida original. Ela pode ficar elevada, avermelhada, endurecida e causar coceira ou desconforto. Em muitos casos, tende a diminuir de espessura com o passar do tempo.
O queloide, por outro lado, ultrapassa os limites da lesão que deu origem à cicatriz. Ele pode continuar crescendo mesmo depois que o ferimento já cicatrizou e tende a persistir sem tratamento.
É por isso que uma pequena lesão pode, em algumas pessoas, dar origem a um queloide maior do que a própria área machucada.
Segundo a DermNet (2022), queloides podem surgir depois de cirurgias, queimaduras, traumas, acne, picadas de insetos e outras lesões. Já as cicatrizes hipertróficas estão especialmente associadas a feridas submetidas a maior tensão durante a cicatrização.
| Característica | Cicatriz hipertrófica | Queloide |
| Ultrapassa a ferida original? | Não | Sim |
| Pode diminuir com o tempo? | Sim | Geralmente não |
| Pode causar coceira? | Sim | Sim |
| Pode crescer depois da cicatrização? | Menos comum | Sim |
| Precisa de avaliação médica? | Em alguns casos | Sim |
Por isso, se uma cicatriz estiver aumentando, ficando mais espessa ou causando incômodo, é importante buscar avaliação de um dermatologista.
Queloide: como surge e quem tem maior risco?
Não existe uma única causa para o surgimento de queloides ou cicatrizes hipertróficas. A genética, as características individuais da pele e o tipo de lesão estão entre os fatores envolvidos. Alguns grupos e situações apresentam maior predisposição.
Faixa etária
Queloides são mais frequentes em pessoas jovens, especialmente entre a adolescência e o início da vida adulta. Isso não significa que adultos mais velhos estejam livres do problema, mas a idade pode influenciar a tendência à formação dessas cicatrizes.
Herança genética e tipo de pele
A predisposição familiar merece atenção. Pessoas que têm parentes próximos com histórico de queloide podem apresentar maior risco.
Além disso, queloides são observados com maior frequência em pessoas com tipos de pele mais pigmentados. Eles ocorrem com maior frequência nos fototipos III a VI, que incluem peles que bronzeiam com facilidade e vão de tonalidades intermediárias a mais escuras. Já em pessoas de pele muito clara, a ocorrência é menor.
Por isso, se a família já tem histórico de queloides, vale avisar o dermatologista antes de realizar procedimentos que provoquem lesões na pele.
Tipo de lesão
Quanto maior a agressão ao tecido, maior pode ser a chance de uma cicatrização fora do padrão esperado em pessoas predispostas.
Cirurgias, queimaduras, ferimentos profundos e algumas inflamações da pele, como lesões provocadas por acne, podem resultar em cicatrizes hipertróficas ou queloides.
Local afetado
O local da lesão também conta. Regiões submetidas a maior tensão da pele, como ombros, tórax, parte superior das costas e áreas próximas às articulações, apresentam maior predisposição.
Esse fator ajuda a explicar por que a mesma cirurgia pode produzir cicatrizes diferentes em pessoas diferentes.
Como tratar queloide e cicatriz hipertrófica?
A resposta para como tratar queloide não cabe em uma única receita. O tratamento depende do tamanho, localização, tempo de existência, sintomas e características da cicatriz, além do histórico individual.
Por isso, a avaliação dermatológica é essencial.
Entre as possibilidades utilizadas pelos profissionais estão:
- Géis ou placas de silicone: podem ser utilizados para auxiliar no controle e na melhora da aparência das cicatrizes;
- Infiltrações com corticoides: aplicadas diretamente na cicatriz em alguns casos, especialmente quando há espessamento importante;
- Crioterapia: utiliza temperaturas muito baixas para congelar e reduzir o tecido cicatricial;
- Laser: determinadas tecnologias podem ajudar a melhorar vermelhidão, espessura, textura e flexibilidade da cicatriz;
- Terapias combinadas: dependendo do caso, o dermatologista pode associar diferentes estratégias;
- Cirurgia: pode ser considerada em situações específicas, mas a retirada isolada de um queloide não é uma solução simples, já que existe risco de ele voltar a crescer.
Pesquisa publicada no Journal of Plastic (2024) reforça que não existe um tratamento único considerado ideal para todos os casos. O estudo destaca que combinar diferentes abordagens costuma funcionar melhor.
Cicatriz hipertrófica: pomada ou gel de silicone pode ajudar?
Quando a cicatriz já está fechada e apresenta relevo, vermelhidão ou coceira, produtos à base de silicone podem fazer parte da estratégia de cuidado.
Uma pesquisa publicada na Pubmed, em 2022, avaliou o uso de géis de silicone no tratamento e na prevenção de cicatrizes hipertróficas. Os autores associaram o silicone líquido a efeitos preventivos e terapêuticos, mas apontaram que parte dos estudos tinha qualidade limitada.
Ou seja, o silicone pode ser um recurso útil, mas não substitui a avaliação individual de cada cicatriz.
Kelo-Cote no cuidado das cicatrizes
O Kelo-Cote é um gel de silicone desenvolvido para o manejo de cicatrizes novas e antigas, incluindo cicatrizes hipertróficas e queloides decorrentes de cirurgias, traumas, feridas e queimaduras.
Sua tecnologia forma uma película fina, transparente, flexível e resistente à água sobre a cicatriz. De acordo com as informações do fabricante, essa camada ajuda a manter a hidratação da região e pode contribuir para melhorar o aspecto da cicatriz, incluindo relevo, vermelhidão e coceira.
O produto pode ser especialmente interessante para quem procura uma opção prática para incorporar ao cuidado diário da pele.
Como usar: com a região limpa e seca, deve-se aplicar uma camada bem fina sobre a cicatriz, duas vezes ao dia, sem esfregar. O produto seca em aproximadamente cinco minutos. Para cicatrizes novas, o fabricante orienta iniciar o uso somente depois que a ferida estiver fechada ou após a retirada dos pontos.
O tempo mínimo recomendado é de 60 a 90 dias, podendo ser prolongado quando ainda houver melhora.
É importante lembrar: Kelo-Cote pode fazer parte de um plano de tratamento, mas a indicação deve ser individualizada por um dermatologista, principalmente quando existe suspeita de queloide, crescimento progressivo, dor, coceira intensa ou alteração importante da cicatriz.
Como prevenir queloide e cicatriz hipertrófica?
Nem sempre é possível impedir completamente o surgimento dessas cicatrizes, especialmente quando existe predisposição genética. Ainda assim, alguns cuidados podem reduzir riscos e favorecer uma cicatrização adequada.
Veja o que pode ajudar:
- Evite coçar, cutucar ou esfregar a região. Traumas repetidos podem prejudicar a cicatrização.
- Mantenha a pele hidratada, seguindo a orientação do profissional que acompanha a cicatrização.
- Proteja a cicatriz do sol. A pele recém-cicatrizada pode ser mais sensível à radiação solar e apresentar alterações de pigmentação.
- Não aplique produtos por conta própria sobre uma ferida aberta. O cuidado deve respeitar a fase de cicatrização.
- Observe mudanças na cicatriz. Aumento do relevo, crescimento para além da ferida original, coceira persistente, dor ou endurecimento merecem avaliação.
- Avise seu dermatologista sobre seu histórico. Se você ou alguém da família já desenvolveu queloides, essa informação é importante antes de cirurgias, tatuagens, piercings e outros procedimentos que provoquem lesões na pele.
- Em procedimentos cirúrgicos, converse previamente com o médico sobre prevenção. Técnicas que reduzem a tensão sobre a ferida podem ser importantes para pessoas predispostas.
Cuidar da cicatriz também é cuidar da relação com a própria pele
Uma cicatriz conta uma história de reparação. Mas isso não significa que você precise simplesmente aceitar qualquer alteração sem buscar cuidado.
Entender a diferença entre cicatriz hipertrófica e queloide, reconhecer os fatores de risco e procurar orientação logo no início podem ser cruciais no resultado do tratamento.
Se a cicatriz estiver crescendo, ultrapassando os limites da lesão original, coçando, doendo ou incomodando esteticamente, procure um dermatologista. Quanto mais cedo a alteração for identificada, mais possibilidades o profissional terá para definir uma estratégia adequada.
E, para quem busca como tratar queloide ou cuidar de uma cicatriz elevada, o silicone, como o Kelo-Cote, pode ser uma alternativa dentro de um plano individualizado de cuidados.
Perguntas frequentes sobre queloide e cicatriz hipertrófica
Queloide desaparece sozinho?
Geralmente, não. Diferentemente da cicatriz hipertrófica, que pode diminuir e ficar menos espessa com o tempo, o queloide tende a persistir e pode continuar crescendo além dos limites da ferida original. Em alguns casos, pode permanecer estável por anos. Por isso, se houver suspeita de queloide, vale consultar um dermatologista para avaliar as opções de tratamento.
Cicatriz hipertrófica diminui com o tempo?
Sim. A cicatriz hipertrófica tem maior tendência a regredir espontaneamente do que o queloide. Ela costuma permanecer dentro dos limites da lesão original e pode ficar mais fina e menos evidente ao longo do tempo. Ainda assim, quando causa coceira, dor, desconforto ou alteração estética importante, pode ser necessário tratamento.
Qual a diferença entre queloide e cicatriz hipertrófica?
A principal diferença está no crescimento da cicatriz em relação à ferida original. A cicatriz hipertrófica permanece dentro dos limites da lesão, enquanto o queloide ultrapassa esses limites e pode continuar crescendo depois que a pele já cicatrizou. As duas podem apresentar relevo, vermelhidão, coceira e sensibilidade, por isso o diagnóstico deve ser feito por um profissional de saúde.
Quem tem queloide pode fazer tatuagem ou piercing?
Pessoas com histórico de queloide devem ter cautela com procedimentos que provoquem novas lesões na pele, incluindo piercings e tatuagens. O trauma pode desencadear a formação de um novo queloide em pessoas predispostas. Por isso, antes de realizar esses procedimentos, é recomendável conversar com um dermatologista e avaliar os riscos.
Gel de silicone funciona para cicatriz?
O gel de silicone pode ajudar na prevenção e no cuidado de cicatrizes hipertróficas e pode fazer parte do tratamento de algumas cicatrizes elevadas. Estudos indicam benefícios em determinados aspectos da cicatriz, embora a qualidade das evidências varie entre as pesquisas. Por isso, o silicone pode ser uma opção de cuidado, mas não substitui a avaliação de um dermatologista, especialmente em casos de queloide.
Quando procurar um dermatologista para uma cicatriz?
Procure avaliação dermatológica se a cicatriz estiver crescendo, ultrapassando os limites da ferida original, ficando mais espessa, endurecida ou causando coceira, dor, sensibilidade ou desconforto. A consulta também é importante quando existe histórico pessoal ou familiar de queloide, especialmente antes de cirurgias, piercings ou outros procedimentos que provoquem lesões na pele.
Este artigo foi revisado pelo farmacêutico técnico Hairton Ayres Azevedo Guimarães CRF 10.965
Fontes:
Blog Unimed
Vida Saudável – Blog do Einstein
Journal of Plastic – Reconstructive & Aesthetic Surgery