Quando a dor de cabeça é intensa, recorrente e vem acompanhada de outros sintomas, como náuseas e sensibilidade à luz, pode não ser apenas um incômodo pontual, mas um quadro de enxaqueca. Essa condição neurológica vai muito além de um incômodo passageiro e pode impactar profundamente a qualidade de vida.
No Brasil e no mundo, milhões convivem com essa realidade: segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2025), a enxaqueca é uma das doenças mais incapacitantes e atinge de 10% a 20% da população global, com maior prevalência em mulheres.
Neste artigo, vamos explicar com clareza o que é, por que acontece, como identificar os sinais, quais são os principais gatilhos, tipos mais comuns, tratamentos disponíveis e estratégias práticas para aliviar e prevenir crises.
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O que acontece no cérebro com a enxaqueca?
A enxaqueca é, antes de tudo, um distúrbio neurológico. Durante uma crise, há uma verdadeira série de eventos acontecendo no sistema nervoso central.
Pesquisas conduzidas por instituições de referência em neurologia indicam que a enxaqueca está relacionada a alterações na atividade elétrica e química do cérebro. Segundo revisões científicas publicadas no The Journal of Headache and Pain e indexadas no PubMed (2020), um dos fenômenos mais estudados é a depressão cortical propagada, uma onda de despolarização neuronal que se espalha pelo córtex cerebral e pode desencadear tanto os sintomas neurológicos quanto a ativação das vias de dor associadas à enxaqueca.
Essas alterações podem levar à liberação de substâncias inflamatórias, como o peptídeo relacionado ao gene da calcitonina (CGRP), que sensibiliza os nervos ao redor dos vasos sanguíneos e amplifica a sensação de dor e desconforto.
Resumo visual do que acontece no cérebro durante a enxaqueca
- Início da crise: disfunção elétrica alterando o padrão normal do cérebro.
- Liberação de neurotransmissores e substâncias como o CGRP (um peptídeo neuroativo que provoca dilatação dos vasos sanguíneos).
- Sensibilização dos nervos cranianos → dor intensa.
- Resposta aos estímulos sensoriais → fotofobia, fonofobia, etc.
Sintomas mais comuns da enxaqueca
A enxaqueca traz uma combinação característica de sinais, que a diferenciam de outros tipos de dor de cabeça. Os sintomas mais frequentes incluem:
- Dor de cabeça forte, pulsátil e geralmente unilateral (de um lado da cabeça);
- Sensibilidade à luz (fotofobia) e ao som (fonofobia);
- Náuseas e vômitos;
- Sensibilidade a cheiros (osmofobia);
- Movimentos e atividades podem piorar a dor; e
- Em algumas pessoas, há alterações visuais ou sensoriais antes da dor (aura).
A crise pode durar de 4 até 72 horas, ou mais em casos graves, e muitas vezes incapacita atividades cotidianas.

O que causa a enxaqueca?
Não existe uma única causa; a enxaqueca é resultado da interação entre fatores genéticos e ambientais. Alguns dos principais gatilhos e causas identificados por especialistas incluem:
Fatores biológicos e ambientais
- Alterações hormonais, especialmente em mulheres (ciclos menstruais, gravidez);
- Genética – histórico familiar é comum;
- Estresse emocional ou físico;
- Privação ou excesso de sono;
- Jejum prolongado ou irregularidades alimentares;
- Consumo de álcool e cafeína em excesso;
- Exposição a luzes intensas ou ruídos altos; e
- Mudanças no clima ou pressão atmosférica.
Cada pessoa pode ter gatilhos específicos, e identificá-los pode ser um passo importante no controle das crises.
Conheça os tipos de enxaqueca
A enxaqueca não é um único padrão. Entre as formas mais comuns estão:
- Com aura: sinais neurológicos (visuais, sensoriais) antes da dor;
- Sem aura: dor típica sem sinais prévios;
- Ocular: episódios de alterações visuais mais intensas;
- Enxaqueca menstrual: desencadeada por flutuações hormonais; e
- Durante a gravidez: intensidade e frequência podem variar conforme o trimestre.
Confira os tratamentos
O tratamento da enxaqueca inclui diferentes abordagens, dependendo da gravidade, frequência e impacto no dia a dia. Segundo diretrizes de saúde e neurologistas, as principais estratégias são:
Tratamento de crise
- Medicamentos analgésicos ou específicos para enxaqueca (ex.: triptanos sob prescrição);
- Antieméticos para náuseas; e
- Terapias complementares conforme indicação médica.
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Tratamento preventivo
- Medicamentos diários para reduzir a frequência da dor;
- Mudanças de estilo de vida; e
- Acompanhamento neurológico regular.
É fundamental evitar o uso excessivo de analgésicos comuns, pois podem levar ao ciclo de cefaleias por uso excessivo de medicamentos.
Para casos persistentes ou complexos, o neurologista pode recomendar terapias mais especializadas e personalizadas.
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Como aliviar e prevenir a enxaqueca
Prevenir e aliviar crises são faces da mesma moeda: quanto melhor o cuidado diário, menor a chance de surtos intensos. Aqui estão práticas eficazes para incorporar na rotina:
Rotina e hábitos
- Sono regular e de boa qualidade;
- Hidratação adequada ao longo do dia;
- Alimentação equilibrada (evitando gatilhos pessoais); e
- Redução de estímulos sensoriais intensos (luz forte, ruídos altos).
Técnicas de bem-estar
- Gestão do estresse (meditação, yoga, respiração profunda);
- Exercícios físicos moderados e regulares; e
- Ficar em um ambiente calmo no primeiro sinal de crise.
Para muitos, pequenas mudanças no estilo de vida reduzem a frequência ou intensidade das crises de modo significativo.
Convivendo com a enxaqueca: informação, cuidado e prevenção
Entender a enxaqueca é dar o primeiro passo para retomar o controle da sua rotina. Essa condição neurológica pode ser incapacitante, mas com diagnóstico adequado, tratamento profissional e hábitos de vida mais equilibrados, muitos conseguem reduzir a frequência e intensidade das crises.
Se você reconhece os sinais da enxaqueca ou enfrenta dores recorrentes, converse com um profissional de saúde para um plano de cuidado personalizado. Informação é poder, e saber o que está acontecendo no seu corpo é a base para uma vida mais leve e com menos dor.
Fontes:
Sociedade Brasileira de Cefaleia
Hcor Associação Beneficente SíriaBio Red Brasil
National Library of Medicine (NIH)
Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT)
The Journal of Headache and Pain
