Nesta época do ano, vemos a cor rosa na iluminação de prédios públicos, em laços de fita, em campanhas publicitárias, revistas e redes sociais sobre o Outubro Rosa. Mas do que se trata essa campanha? Acompanhe a seguir!
O que é Outubro Rosa e porque é tão importante?
Outubro Rosa é um movimento que surgiu nos EUA e se espalhou pelo mundo. A ideia dos laços começou a se popularizar por lá em 1991 a partir da “Corrida pela Cura de Nova York”, em que eles foram distribuídos a todos os participantes. Foi uma forma de chamar a atenção para conscientizar sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce ao câncer de mama. Aos poucos, os laços de fita rosa se consolidaram como um símbolo para lembrar dessa luta.
E, assim, todo ano tem Outubro Rosa pelo mundo, porque compartilhar informações pode, sim, fazer toda a diferença. No Brasil, mais de 30% dos diagnósticos acontecem já em estágio avançado, o que torna o tratamento bem mais complicado. Por isso, o lema é “quanto antes melhor”, mesmo nome da campanha deste ano da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM).
De acordo com o Ministério da Saúde, toda mulher com idade entre 50 e 69 anos deve realizar o exame de prevenção a cada dois anos. Já a recomendação da SBM é de que uma rotina de exames preventivos tenha início a partir dos 40 anos.
Não precisa sentir medo de fazer o autoexame ou de pedir para marcar exames de imagem. É exatamente quando se encontra algo que se torna possível tratá-lo [confira abaixo o depoimento cheio de franqueza da Isabela Scarioli, que recebeu o diagnóstico e passou pelo tratamento]. O importante é se informar, não tratar como tabu. Juntas, informação e prevenção podem salvar muitas vidas.
Faça parte deste movimento!
Quais os sintomas do câncer de mama?
Os sinais e sintomas podem variar e, inclusive, algumas mulheres podem demorar a apresentar qualquer alteração perceptível ou com dor. O recomendável é conhecer bem o seu corpo, para que possa notar mudanças e comunicá-las ao médico, além de realizar sempre o autoexame de toque.
Entre os principais sintomas do surgimento do tumor, estão:
- Presença de nódulo único endurecido na mama ou na região da axila.
- Deformidade de uma parte da mama.
- Inchaço do braço, de toda a mama ou parte dela.
- Eritema (vermelhidão) na pele.
- Inversão do mamilo.
- Sensação de massa ou nódulo em uma das mamas.
- Espessamento ou retração da pele ou do mamilo.
- Secreção sanguinolenta ou serosa pelos mamilos.
- Dores na mama ou no mamilo.
Se você perceber algum desses sinais, procure um médico imediatamente, para que ele solicite a realização dos exames clínicos.
E para entender mais sobre os sintomas do câncer de mama e como a doença funciona, leia o nosso guia: Vamos falar sobre câncer de mama? Conheça os sintomas e tratamentos.
Realizando o autoexame
O exame de mamas é recomendável a todas as mulheres maiores de 20 anos de idade e deve ser realizado cerca de uma semana após o início da menstruação. Após a menopausa, pode ser feito em qualquer período, mas mantendo uma rotina de realização mensal.
O autoexame pode ser feito em frente ao espelho, em pé ou deitada, e é bastante simples, consistindo em observar e tocar o seio para identificar algum dos sinais mencionados acima. Veja como fazê-lo.
Em frente ao espelho:
- Fique de pé, de frente para o espelho.
- Com os braços caídos, observe os dois seios.
- Coloque as mãos na cintura e faça força.
- Coloque as mãos atrás da cabeça e observe o tamanho, posição e forma do mamilo.
- Levemente, pressione o mamilo e verifique se há saída de secreção.
Em pé
- Apoie o braço esquerdo sobre a cabeça.
- Com a mão direita, examine a mama esquerda.
- Com a polpa dos dedos, nunca as unhas, examine em círculos que começam no mamilo e crescem até cobrir o seio todo e, em seguida, em linhas retas horizontais para cima e para baixo.
- Novamente, ao fim da palpação, pressione o mamilo suavemente para observar se há secreção.
- Repita os movimentos na outra mama.
Deitada
Para fazer o exame deitada, repita os passos acima, como se estivesse em pé. Para ficar mais confortável, posicione uma almofada debaixo do ombro que estiver com o braço levantado.
Se você notar alguma diferença, não se alarme e procure um médico. Nem todo caroço ou sinal nas mamas indica um câncer. Pode ser proliferação das células da glândula mamária, ou ainda os falsos nódulos ou cistos. Só o médico poderá realizar o diagnóstico correto.
Quando preciso realizar a mamografia?
A mamografia é um exame de rastreio por imagem que pode detectar um nódulo, mesmo que este ainda não seja palpável. É recomendável que seja feita rotineiramente a partir dos 40 anos de idade, em um intervalo de 1 a 2 anos para as mulheres que não possuem histórico de câncer de mama na família.
Mas, se algum parente próximo, seja tia, irmã ou mãe, já teve a doença ou outros nódulos na mama, o indicado é realizar o exame anualmente já a partir dos 35 anos de idade.
Homens podem ter câncer de mama?
Sim, mas é um evento bastante raro, apenas cerca de 1% dos casos diagnosticados são masculinos. Porém, os homens descobrem a doença em fases mais avançadas, o que aumenta os riscos.
Isso acontece porque a maioria desconhece a possibilidade de desenvolver o câncer de mama, e também por questões socioculturais que impedem a busca por auxílio médico de um mastologista.
Conscientização e informação são as melhores armas na luta contra todo tipo de câncer. Por isso, a mobilização durante o Outubro Rosa é tão importante. Envie este texto para seus amigos ou compartilhe nas redes sociais e vamos juntos disseminar a importância da prevenção.
Depoimento de câncer de mama
Conheça a história da Isabela Scarioli, que recebeu o diagnóstico de câncer de mama em 2017.
“Eu não tinha costume de fazer o autoexame. Mas eu tinha casos de câncer de mama na família. Por isso, minha ginecologista sempre me pedia um ultrassom. Acontece que ela parou de atender, eu passei a ir cada hora numa ginecologista diferente e a última me falou que eu não precisava repetir o exame — eu tinha 34 anos e tinha feito o último com 33. Um dia, eu tinha acabado de malhar, senti uma coisa dura no meu peito quando tirei o top. Pensei: “deve ser uma íngua”, mas o negócio não sumiu. Fui a outro médico, fiz uma mamografia que detectou uma mancha, mas não dava para ver muito bem o que era. Foi aí que ele pediu um ultrassom. Quando eu fiz, falei “lascou, é câncer”, porque tem lá falando BI-RADS [sigla para Breast Imaging Reporting and Data System] e o meu era 4, mais de 50% de chance de ser câncer. Demorou para caramba o exame. Saí do ultrassom já chorando, mas ainda com alguma esperança. Fiz a biópsia e fui ao mastologista, que foi quem me deu a notícia.
Fiquei muito arrasada, meu mundo caiu, eu abri a boca a chorar, você acha realmente que a sua vida acabou. Eu tinha 34 anos, e foi muito ruim. Como nenhuma notícia ruim vem sozinha, fui fazer mais exames e o oncologista falou: “não sei se você sabe, mas a quimioterapia provoca uma menopausa medicamentosa, que pode nunca mais voltar. Se você quiser ter filhos (eu não tinha filhos) você precisa congelar seus óvulos”. Aí, começou uma corrida contra o tempo.
O diagnóstico
Meu diagnóstico foi numa quinta-feira, eu fiz minha cirurgia para tirar o câncer no sábado, porque o índice de proliferação das células era muito alto, era muito perigoso eu ficar com o câncer, tinha que ser rápido. Na semana seguinte, eu já comecei o tratamento para congelar os óvulos. Ao mesmo tempo, eu tive uma infecção da cirurgia, então eu voltei e tive que ficar internada, fiquei com uma ferida na mama por muito tempo, até setembro, quase o período completo da quimio (de maio a outubro de 2017).
Perguntavam para mim o que eu fiz para merecer isso. Outra clássica é “você vai sair melhor dessa”, “você vai aprender muito”, como se o câncer fosse um retiro espiritual. As pessoas não têm a menor noção. Elas falam assim: “você está com câncer? Eu conheço fulano de tal que morreu”; as pessoas podem ser muito insensíveis mesmo.
A importância da rede de apoio
Uma coisa que me ajudou muito foram os amigos, a família, meu ex-marido (na época eu era casada). Essa força de as pessoas não me deixarem sozinha me ajudou demais. Escrever me ajudou muito a organizar a cabeça. Também fiz uns vídeos na época, falar do assunto para mim era muito bom. Diferentemente de outras pessoas, eu quis muito saber, então eu fui ler, li vários livros sobre câncer. Li o “Imperador de todos os males”, que é uma biografia do câncer, escrito por um médico de Harvard. Ele reconta a história da doença desde os primeiros relatos que alguém tenha feito de um tumor, como foi o tratamento, como descobriram a quimioterapia. É bem interessante o livro e me deixou muito consciente da minha situação.
Depois eu ainda fiz o exame genético, descobri que eu tinha o BRCA1 alterado, que é o mesmo da Angelina Jolie. Então tive que retirar as mamas, depois tive que retirar os ovários. É uma doença muito cruel, muito grave, que te tira muitas coisas, que tem muito estigma, e você pode fazer tudo certinho e dar tudo errado. No meu caso, deu tudo certo, mas eu perdi muitas coisas. Eu perdi minhas mamas, meus ovários, perdi uma certa ingenuidade, mas eu acho que eu ganhei várias coisas — não do câncer, porque não se trata de uma colônia de férias, de um retiro espiritual em que você atinge a iluminação, mas, com certeza, me tornei uma pessoa mais forte.
Eu entrei na menopausa com 34 anos, dois anos depois tive de retirar os ovários. Então eu entrei na menopausa definitivamente com 36 anos. Sua sexualidade muda, muda tudo. Depois que eu estava curada, meu cabelo estava crescendo, as pessoas me viam e falavam “nossa você está ótima, você está tão magra!” Eu respondia: “quimioterapia”. Essa mania que as pessoas têm de se meter né..
Os efeitos do diagnóstico precoce
Hoje eu digo que é encarar a vida do jeito que ela é e ter senso de humor. Afinal, enquanto a gente não morrer a gente está viva; então bora viver, e bem viver! Quanto aos exames, tanto o autoexame quanto os exames clínicos mesmo, foi o que me salvou. Se eu não tivesse achado o caroço me tocando e fosse buscar ajuda eu teria morrido. Descobrir um câncer de mama cedo é a diferença entre ter chance de viver ou morrer.
* Você também pode encontrar a Isabela no Instagram: @ipscarioli. Lá, nos seus destaques, há uma série sobre o que mais ela aprendeu com a experiência.

O que dizer (e o que não dizer!) para quem recebeu o diagnóstico de câncer de mama?
“Você vai sair dessa melhor” não é exatamente algo bom de se ouvir. A intenção pode ser boa, mas nem sempre o efeito é. Diante de um diagnóstico de câncer de mama, o melhor é exercitar a escuta. É o que aprendemos ouvindo a Isabela e outras mulheres que viveram essa experiência. Reunimos aqui algumas reflexões a partir do relato delas.
– O diagnóstico ainda vem cheio de tabus, desinformação ou preconceitos. Deixe de lado o olhar de dó ou mesmo de acusação. Não se trata de um castigo ou de uma doença de quem tem ressentimento pela vida.
– Nem todo mundo quer receber uma mensagem de superação. Ao invés disso, prefira escutar.
– Ao ouvir o relato, deixe que a pessoa conduza a conversa.
Se você recebeu o diagnóstico:
– Tente não se importar com o que as pessoas vão dizer sobre você e sua doença.
– Falar sobre o assunto costuma ser bastante positivo. Há várias formas de se fazer isso: com profissionais especializados (como em sessões de terapia), em conversas com amigos com quem se tem mais confiança e intimidade, gravar áudios ou mesmo escrever sobre o assunto apenas para você.
– Além do tratamento indicado pelo seu ou sua médica, vale a pena se cuidar num sentido amplo, para além da doença. Terapias integrativas (que são aquelas que integram o tratamento, apesar de não ser a principal), como acupuntura, contribuem para a qualidade de vida da mulher.
– Não deixe de fazer as coisas que te dão prazer, seja sozinha ou na companhia de pessoas queridas.
– Doses de fé e coragem não têm contra-indicação.