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Imunodeficiência: entenda o que é, os tipos e como tratar

médica em consultório explicando sobre a imunodeficiência

Por que algumas pessoas passam a vida quase sem ficar doentes, enquanto outras enfrentam infecções repetidas que parecem nunca ter fim? Em muitos casos, a resposta pode estar no funcionamento do sistema imunológico.

A imunodeficiência é uma falha do sistema imunológico que reduz a capacidade de combater vírus, bactérias, fungos e outros microrganismos. Como consequência, o corpo fica mais vulnerável a infecções frequentes, doenças inflamatórias e autoimunes.

Neste artigo, você vai entender o que é imunodeficiência, conhecer os diferentes tipos da doença, descobrir quais são os principais sinais de alerta e quais tratamentos ajudam a controlar essa condição.

O que é imunodeficiência?

O sistema imunológico é responsável por manter o equilíbrio no organismo. Todos os dias, ele identifica ameaças, combate microrganismos e ajuda o corpo a se recuperar de infecções sem que a maioria dessas batalhas seja percebida.

Quando existe uma imunodeficiência, esse equilíbrio é comprometido. As defesas naturais deixam de responder de forma eficiente, aumentando a suscetibilidade a infecções frequentes, persistentes ou mais graves do que o esperado, além de favorecer processos inflamatórios e algumas doenças autoimunes.

Além disso, a imunodeficiência é uma condição rara que pode ser hereditária ou adquirida ao longo da vida, dependendo da causa que compromete o funcionamento do sistema imunológico.

De forma geral, ela é dividida em dois grandes grupos:

  • Imunodeficiência primária, causada por alterações genéticas;
  • Imunodeficiência secundária, adquirida ao longo da vida por fatores externos.

Embora sejam classificadas como doenças raras, especialistas alertam que muitos casos ainda permanecem sem diagnóstico por anos, principalmente quando os sintomas são leves ou aparecem apenas na vida adulta.

Imunodeficiência primária

A imunodeficiência primária corresponde a um grupo de doenças hereditárias causadas por alterações genéticas que comprometem o funcionamento do sistema imunológico.

Segundo a International Union of Immunological Societies (IUIS, 2025), já foram identificadas mais de 550 imunodeficiências primárias. Cada uma delas afeta uma parte específica das defesas do organismo, podendo comprometer anticorpos, linfócitos, células de defesa ou proteínas responsáveis pela resposta imunológica.

Hoje, graças aos avanços da genética e da imunologia, muitas dessas doenças podem ser identificadas precocemente e tratadas de forma personalizada, reduzindo significativamente o risco de complicações.

Sinais da imunodeficiência

Todo mundo pode ter uma gripe, uma sinusite ou uma infecção ocasional. O que merece atenção é quando essas doenças passam a fazer parte da rotina.

Pneumonias frequentes, infecções que demoram para melhorar, necessidade constante de antibióticos ou doenças causadas por microrganismos incomuns podem indicar que existe uma falha no sistema imunológico.

Por isso, médicos especialistas reforçam que reconhecer os sinais precocemente é uma das etapas mais importantes para investigar uma possível imunodeficiência primária.

Quanto mais cedo o diagnóstico acontece, maiores são as chances de iniciar o tratamento adequado, prevenir sequelas e melhorar a qualidade de vida.

Conheça os principais sinais

Nem toda infecção significa imunodeficiência. O alerta surge quando diferentes sinais aparecem juntos, são recorrentes ou apresentam gravidade acima do esperado.

Infecções de repetição

Este é um dos sinais mais conhecidos. Episódios frequentes de pneumonia, sinusite, otite, amigdalite ou bronquite podem indicar que o organismo não consegue eliminar completamente os agentes infecciosos.

Quando essas infecções exigem internações frequentes ou repetidos ciclos de antibióticos, é importante procurar avaliação médica.

Infecções persistentes

Outro sinal importante são as infecções que simplesmente não desaparecem.

Mesmo após o tratamento adequado, elas voltam rapidamente ou permanecem ativas por semanas ou meses, indicando que o sistema imunológico pode não estar respondendo da maneira esperada.

Infecções incomuns ou graves

Algumas pessoas desenvolvem infecções provocadas por microrganismos considerados raros ou que normalmente não causariam doenças em indivíduos saudáveis.

Também merecem atenção infecções muito graves, com necessidade de internação, infecções disseminadas ou complicações importantes após doenças comuns.

Atraso no crescimento ou no ganho de peso

Nas crianças, infecções repetidas podem comprometer o desenvolvimento.

Quando o organismo precisa combater processos infecciosos continuamente, parte da energia que deveria ser destinada ao crescimento acaba sendo utilizada na resposta imunológica.

Isso pode resultar em dificuldade para ganhar peso, atraso no crescimento e maior cansaço.

Histórico familiar de imunodeficiência

A presença de parentes diagnosticados com imunodeficiência aumenta a suspeita da doença, principalmente quando existem casos semelhantes em irmãos, pais, tios ou primos.

Como muitas imunodeficiências primárias possuem origem genética, o histórico familiar é uma informação importante durante a investigação médica.

Doenças autoimunes associadas

Em algumas situações, além de não conseguir combater infecções adequadamente, o sistema imunológico passa a atacar células do próprio organismo.

Por isso, pessoas com imunodeficiência podem desenvolver doenças autoimunes como:

  • anemia hemolítica autoimune;
  • plaquetopenia imune;
  • vitiligo;
  • artrite; e
  • doenças inflamatórias intestinais.

Problemas gastrointestinais recorrentes

Diarreias persistentes, infecções intestinais frequentes, dificuldade para absorver nutrientes e perda de peso sem causa aparente também podem fazer parte do quadro clínico.

Esses sintomas ocorrem porque o trato gastrointestinal concentra uma grande parte das células do sistema imunológico.

Alterações hematológicas

Anemias recorrentes, redução das plaquetas ou alterações inexplicáveis nos exames de sangue também podem ser manifestações da imunodeficiência.

Em muitos casos, esses sinais aparecem antes mesmo das infecções mais graves.

Inflamação de órgãos

Algumas imunodeficiências provocam processos inflamatórios crônicos que podem afetar diferentes órgãos, como:

  • pulmões;
  • fígado;
  • rins;
  • intestino; e
  • baço.

Sem acompanhamento adequado, essas inflamações podem comprometer o funcionamento desses órgãos ao longo do tempo.

Infecções de pele e abscessos profundos

Furúnculos recorrentes, abscessos profundos, feridas que demoram para cicatrizar e infecções frequentes na pele também merecem investigação.

Esses quadros refletem falhas na resposta de defesa do organismo, especialmente das células responsáveis por eliminar bactérias e controlar processos infecciosos.

Qual é a diferença entre imunodeficiência primária e secundária?

Embora ambas reduzam a capacidade do organismo de combater infecções, a origem da doença é diferente.

A imunodeficiência primária é causada por alterações genéticas que comprometem o funcionamento do sistema imunológico desde o nascimento. Mesmo que os sintomas apareçam apenas anos depois, a alteração genética já está presente.

Já a imunodeficiência secundária é adquirida ao longo da vida e costuma ser consequência de outros fatores que enfraquecem as defesas do organismo.

Entre as causas mais frequentes estão:

  • infecção pelo HIV;
  • alguns tipos de câncer, como leucemias e linfomas;
  • uso prolongado de medicamentos imunossupressores ou quimioterapia;
  • desnutrição grave;
  • transplantes de órgãos; e
  • doenças crônicas, como insuficiência renal ou hepática.

Enquanto a imunodeficiência primária normalmente exige acompanhamento ao longo de toda a vida, a secundária pode melhorar quando sua causa é tratada ou controlada.

Independentemente da origem, ambas precisam de diagnóstico precoce para reduzir o risco de infecções e preservar a qualidade de vida.

Como são os sintomas?

Os sintomas variam conforme o tipo e a gravidade da deficiência imunológica. Algumas pessoas apresentam manifestações ainda nos primeiros meses de vida, enquanto outras só descobrem a doença na adolescência ou na fase adulta.

Nos estágios iniciais, a imunodeficiência pode passar despercebida. Afinal, uma gripe, uma sinusite ou uma pneumonia isolada fazem parte da rotina de muitas pessoas. O problema surge quando essas infecções se tornam frequentes, graves ou difíceis de controlar.

Além das infecções recorrentes, outros sintomas podem aparecer, como:

  • febre frequente sem causa aparente;
  • fadiga persistente;
  • dificuldade para cicatrizar feridas;
  • perda de peso involuntária;
  • diarreias recorrentes;
  • inflamações persistentes;
  • aumento dos linfonodos; e
  • infecções por fungos de repetição.

Como esses sinais podem estar presentes em diversas doenças, o diagnóstico depende da avaliação médica, do histórico clínico e de exames laboratoriais específicos.

Por isso, sempre que infecções repetidas fizerem parte da rotina ou demorarem para melhorar, é importante procurar atendimento especializado.

Tipos de imunodeficiência

As imunodeficiências são classificadas conforme a parte do sistema imunológico que apresenta alterações. Atualmente, a medicina reconhece centenas de doenças diferentes, mas elas costumam ser agrupadas em cinco grandes categorias.

Imunodeficiências de anticorpos

São as formas mais frequentes de imunodeficiência primária.

Nesse grupo, o organismo produz poucos anticorpos ou anticorpos que não conseguem combater adequadamente os microrganismos.

Como consequência, infecções respiratórias, sinusites, otites e pneumonias tornam-se recorrentes.

Entre os exemplos mais conhecidos estão:

  • Imunodeficiência Comum Variável (ICV);
  • Agamaglobulinemia ligada ao X;
  • Deficiência seletiva de IgA.

Imunodeficiências combinadas (células T e B)

Nesse grupo, tanto os linfócitos B quanto os linfócitos T apresentam alterações.

Como essas células são fundamentais para coordenar toda a resposta imunológica, os pacientes costumam desenvolver infecções graves logo nos primeiros meses de vida.

Um dos exemplos mais conhecidos é a Imunodeficiência Combinada Grave (SCID), considerada uma emergência pediátrica e popularmente conhecida como doença do menino da bolha.

Imunodeficiências dos fagócitos

Os fagócitos são células responsáveis por engolir e destruir microrganismos invasores. Quando elas não funcionam corretamente, aumentam os episódios de infecções profundas, abscessos, pneumonias e infecções na pele.

A Doença Granulomatosa Crônica é um dos exemplos desse grupo.

Imunodeficiências do complemento

O sistema complemento é formado por proteínas que auxiliam os anticorpos a eliminar vírus e bactérias.

Alterações nessas proteínas podem aumentar o risco de infecções graves, principalmente por bactérias encapsuladas, além de favorecer algumas doenças autoimunes.

Embora sejam menos frequentes, essas imunodeficiências exigem acompanhamento contínuo.

Outras imunodeficiências raras

Os avanços da genética permitiram identificar centenas de alterações imunológicas que não se encaixam perfeitamente nas classificações tradicionais.

Algumas afetam apenas uma via específica da resposta imunológica; outras provocam manifestações muito variadas, incluindo infecções recorrentes, alergias graves, inflamações persistentes e doenças autoimunes.

Por isso, atualmente muitos especialistas utilizam o termo Erros Inatos da Imunidade (Inborn Errors of Immunity) para representar esse amplo grupo de doenças.

Conheça as estatísticas da imunodeficiência

Embora sejam classificadas como doenças raras, as imunodeficiências provavelmente são mais comuns do que se imaginava há alguns anos.

A Fundação Jeffrey Modell (2025), uma das principais organizações mundiais dedicadas ao tema, estima que cerca de 6 milhões de pessoas convivem com algum tipo de imunodeficiência primária no mundo. No entanto, entre 70% e 90% desses indivíduos ainda não receberam diagnóstico, o que aumenta o risco de infecções graves e complicações.

No Brasil, a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) destaca que a conscientização sobre os sinais de alerta vem ampliando o número de diagnósticos, mas muitos pacientes ainda percorrem um longo caminho até descobrir a causa das infecções recorrentes.

Esses dados reforçam a importância de reconhecer os sintomas precocemente e procurar avaliação médica sempre que houver suspeita de falhas no sistema imunológico.

Tratamentos para quem tem imunodeficiência

Uma das dúvidas mais frequentes é se imunodeficiência tem cura.

A resposta depende do tipo da doença. Nas imunodeficiências secundárias, tratar a causa que enfraqueceu o sistema imunológico pode levar à recuperação parcial ou completa da função imunológica.

Já nas imunodeficiências primárias, nem sempre existe uma cura definitiva. Ainda assim, os avanços da medicina permitem controlar a doença, prevenir infecções e proporcionar uma vida ativa e com boa qualidade.

O tratamento é individualizado e pode incluir:

  • reposição de imunoglobulinas;
  • uso preventivo de antibióticos, antivirais ou antifúngicos;
  • vacinação conforme orientação médica;
  • controle de doenças autoimunes associadas;
  • fisioterapia respiratória, quando necessária;
  • transplante de células-tronco hematopoéticas (transplante de medula óssea) em casos específicos; e
  • terapia gênica, disponível para algumas doenças em centros especializados.

O acompanhamento com imunologista é indispensável para definir a estratégia mais adequada.

Imunoglobulin 50 mg/mL

Entre os tratamentos disponíveis para algumas imunodeficiências está a reposição de imunoglobulina humana.

A Imunoglobulin 50 mg/mL é um medicamento injetável indicado para o tratamento de desordens imunológicas específicas, principalmente quando o organismo não produz anticorpos em quantidade suficiente.

Esse tratamento pode fazer diferença em diferentes momentos da vida do paciente, sendo indicado, por exemplo, para: 

  • imunodeficiências primárias com deficiência de anticorpos;
  • algumas imunodeficiências secundárias;
  • pacientes submetidos ao transplante de medula óssea;
  • pessoas com leucemia linfocítica crônica e deficiência de anticorpos;
  • alguns pacientes infectados pelo HIV com infecções bacterianas recorrentes.

Além dessas indicações, a bula contempla outras condições clínicas que devem ser avaliadas pelo médico.

A administração é realizada por via intravenosa, sempre sob acompanhamento de um profissional de saúde. A dose, a frequência e a duração do tratamento variam conforme a doença, o peso corporal e a resposta clínica do paciente.

Na Drogaria Araujo, a Imunoglobulin 50 mg/mL é comercializada mediante solicitação prévia devido às características de armazenamento e logística do medicamento. 

Como evitar as infecções

Mesmo quando não é possível prevenir a imunodeficiência, algumas medidas reduzem significativamente o risco de infecções e ajudam a proteger a saúde.

Entre as principais recomendações estão:

  • manter a vacinação em dia, conforme orientação médica;
  • higienizar frequentemente as mãos com água e sabão ou álcool 70%;
  • lavar corretamente frutas, verduras e legumes antes do consumo;
  • evitar contato próximo com pessoas que estejam com doenças infecciosas;
  • praticar sexo seguro utilizando preservativos;
  • manter boa higiene bucal;
  • cozinhar adequadamente carnes, ovos e outros alimentos de origem animal;
  • utilizar água potável;
  • ter cuidados com animais domésticos, principalmente durante a limpeza de fezes e caixas de areia; e
  • manter uma alimentação equilibrada, sono adequado e prática regular de atividade física, sempre respeitando as orientações médicas.

Também é fundamental evitar a automedicação. Infecções recorrentes não devem ser tratadas apenas com antibióticos repetidamente, sem investigação da causa.

Conhecimento é o primeiro passo para proteger sua saúde

Entender o que é imunodeficiência representa o primeiro passo para reconhecer sinais que muitas vezes passam despercebidos. Embora seja considerada uma condição rara, o diagnóstico precoce pode reduzir complicações, prevenir infecções graves e melhorar significativamente a qualidade de vida.

Se infecções frequentes, persistentes ou incomuns fazem parte da rotina, procure avaliação médica. Com o avanço da imunologia, hoje existem diversos recursos para investigar a doença e oferecer tratamentos personalizados, como a reposição de imunoglobulinas, medicamentos específicos e outras terapias capazes de controlar a deficiência imunológica e proporcionar mais segurança ao paciente.

Este artigo foi revisado pelo farmacêutico técnico Hairton Ayres Azevedo Guimarães CRF 10.965

Fontes: 

National Library of Medicine

Medline Plus

Associação Brasileira de Alergia e Imunologia

International Union of Immunological Societies (IUIS)

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