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Potássio alto em pacientes com doenças renais e cardíacas: riscos, tratamento e como controlar

Médico atendendo paciente com potássio alto no sangue

O potássio alto no sangue, condição conhecida como hipercalemia, costuma evoluir de forma silenciosa. Muitas pessoas descobrem a alteração apenas durante exames de rotina ou enquanto investigam doenças renais e cardíacas. O problema é que, quando os níveis permanecem elevados, as consequências podem ser graves, principalmente para o funcionamento do coração.

A hipercalemia é especialmente comum em pessoas com doença renal crônica, insuficiência cardíaca e naquelas que utilizam alguns medicamentos para controle da pressão arterial e proteção do coração.

Segundo a National Kidney Foundation, os rins saudáveis são responsáveis por manter o equilíbrio do potássio no organismo. Quando essa função é comprometida, o mineral pode se acumular no sangue e aumentar o risco de alterações cardíacas potencialmente perigosas.

Neste artigo, você vai entender como o potássio alto no sangue se relaciona com doenças renais e cardíacas, quais são os principais riscos da hipercalemia, como funciona o tratamento e quais cuidados ajudam a manter os níveis de potássio sob controle.

O que é potássio alto?

O potássio é um mineral essencial para o bom funcionamento do organismo. Ele participa da transmissão dos impulsos nervosos, da contração dos músculos e, principalmente, da atividade elétrica que mantém o coração batendo de forma regular.

Para que todas essas funções aconteçam corretamente, a quantidade de potássio no sangue precisa permanecer dentro de uma faixa considerada normal. Quando esse equilíbrio é rompido e os níveis se elevam, surge a hipercalemia, condição que pode interferir no funcionamento dos músculos e, principalmente, do coração.

Na maioria dos laboratórios, considera-se hipercalemia quando o potássio ultrapassa 5,5 mEq/L, embora esse valor possa variar conforme o contexto clínico e os critérios adotados pelo laboratório.

As principais causas incluem:

  • doença renal crônica;
  • insuficiência cardíaca;
  • diabetes;
  • desidratação grave;
  • uso de medicamentos como IECA, BRA, espironolactona e outros poupadores de potássio; e
  • consumo excessivo de suplementos de potássio.

Em muitos casos, não há sintomas nas fases iniciais. Quando aparecem, os mais comuns são:

  • fraqueza muscular;
  • sensação de formigamento;
  • fadiga intensa;
  • náuseas;
  • palpitações; e
  • alterações no ritmo cardíaco.

Em situações mais graves, o potássio alto pode causar arritmias no coração, exigindo atendimento médico imediato.

Potássio e doença renal: uma relação de mão dupla

Quando falamos em potássio alto e doença renal, existe uma relação que funciona nos dois sentidos. Os rins são responsáveis por eliminar o excesso de potássio presente no sangue. Quando deixam de funcionar adequadamente, essa eliminação diminui e o mineral começa a se acumular.

Por isso, pessoas com doença renal crônica apresentam maior risco de desenvolver hipercalemia.

Ao mesmo tempo, níveis persistentemente elevados de potássio também dificultam o manejo da doença renal. Embora o excesso de potássio não seja, isoladamente, a principal causa da perda da função dos rins, ele representa um importante marcador de que a filtração renal já não está funcionando como deveria.

É justamente por esse motivo que pacientes renais realizam exames periódicos para acompanhar:

  • creatinina;
  • taxa de filtração glomerular (TFG);
  • ureia; e
  • potássio sérico.

Segundo as diretrizes internacionais da KDIGO (Kidney Disease: Improving Global Outcomes), o controle do potássio é uma das etapas fundamentais no acompanhamento da doença renal crônica.

Outro ponto importante é que muitos medicamentos que protegem os rins também podem elevar o potássio. Isso não significa que devam ser interrompidos por conta própria. O ajuste sempre deve ser feito pelo médico, que avaliará os riscos e benefícios de cada tratamento.

Potássio e doença cardíaca: por que o coração sente primeiro?

Poucos órgãos dependem tanto do equilíbrio do potássio quanto o coração.

Cada batimento acontece porque existe uma troca extremamente organizada de eletrólitos entre as células cardíacas. Quando o potássio sobe além do normal, essa comunicação elétrica pode sofrer alterações.

É por isso que o potássio alto merece atenção especial.

Pacientes com insuficiência cardíaca frequentemente apresentam maior risco de hipercalemia por diferentes motivos:

  • redução da função dos rins;
  • alterações hormonais relacionadas à doença; e
  • uso de medicamentos que aumentam a sobrevida, mas também podem elevar o potássio.

Entre eles estão os inibidores da enzima conversora da angiotensina (IECA), bloqueadores dos receptores da angiotensina (BRA) e antagonistas da aldosterona.

Esses medicamentos são extremamente importantes no tratamento da insuficiência cardíaca e não devem ser suspensos sem orientação médica.

O grande desafio é manter o equilíbrio. Quando o potássio sobe excessivamente, aumenta o risco de:

  • arritmias cardíacas;
  • redução da frequência cardíaca;
  • alterações no eletrocardiograma; e
  • parada cardíaca em casos extremos.

Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, o acompanhamento laboratorial regular faz parte do cuidado contínuo desses pacientes, justamente para identificar alterações antes que elas provoquem complicações.

Como é o tratamento?

Receber o diagnóstico de hipercalemia pode gerar dúvidas, principalmente para quem convive com doenças renais ou cardíacas. Afinal, existe tratamento para o potássio alto no sangue?

Sim. O tratamento existe e costuma combinar diferentes estratégias, sempre definidas pelo médico de acordo com a causa da hipercalemia, os níveis de potássio e o estado geral de saúde do paciente. O objetivo é duplo: reduzir o excesso de potássio circulante e evitar que ele volte a se elevar.

Entre as principais medidas estão ajustes na alimentação, uso de medicamentos específicos, monitoramento frequente dos exames e, em situações mais graves, hemodiálise.

Dieta: pequenos ajustes que fazem diferença

Uma das primeiras recomendações costuma ser a adequação da alimentação. Isso não significa eliminar completamente os alimentos ricos em potássio. Na maioria das vezes, o foco é controlar a quantidade consumida e adaptar o preparo dos alimentos. Alguns alimentos naturalmente ricos em potássio incluem:

  • banana;
  • abacate;
  • água de coco;
  • castanhas;
  • tomate;
  • batata;
  • espinafre;
  • feijão; e
  • frutas secas.

Em pacientes com doença renal, uma técnica bastante utilizada é o chamado duplo cozimento dos legumes.

O processo consiste em:

  1. descascar e cortar os legumes em pedaços pequenos;
  2. cozinhar em bastante água;
  3. descartar essa água; e
  4. cozinhar novamente com água limpa.

Esse método ajuda a reduzir parte do potássio presente nos alimentos, permitindo maior variedade na alimentação sem comprometer a segurança.

Vale lembrar que a restrição alimentar deve ser individualizada. Retirar alimentos da dieta por conta própria pode causar deficiência de vitaminas e outros minerais importantes. O ideal é contar com o acompanhamento de um nutricionista e da equipe médica.

Segundo a National Kidney Foundation, a dieta para controle da hipercalemia deve considerar o estágio da doença renal, outros problemas de saúde e o tratamento em andamento.

Medicamentos: aliados no controle do potássio

Quando a alimentação, sozinha, não é suficiente para controlar a hipercalemia, o médico pode indicar medicamentos que ajudam a remover o excesso de potássio do organismo. Esses medicamentos atuam de maneiras diferentes, dependendo da situação clínica do paciente.

Em muitos casos, eles permitem que pessoas com doença renal crônica ou insuficiência cardíaca continuem utilizando medicamentos fundamentais para proteger os rins e o coração, sem que o aumento do potássio se torne um obstáculo para o tratamento.

Por isso, nunca interrompa medicamentos prescritos por conta própria. Sempre converse com seu médico antes de qualquer mudança.

Além do tratamento medicamentoso, é comum que o especialista solicite exames periódicos para acompanhar:

  • potássio sérico;
  • creatinina;
  • função renal; e
  • eletrocardiograma, quando necessário.

Esse monitoramento ajuda a ajustar o tratamento antes que surjam complicações.

Hemodiálise: quando ela pode ser necessária?

Nos casos mais graves, especialmente quando o potássio atinge níveis muito elevados ou quando há alterações importantes no eletrocardiograma, a hipercalemia pode se tornar uma emergência médica.

Nessas situações, pode ser necessária a realização da hemodiálise. O procedimento funciona como um sistema de filtração artificial do sangue, removendo substâncias que os rins não conseguem eliminar adequadamente, entre elas o excesso de potássio.

A hemodiálise costuma ser indicada principalmente para pacientes com insuficiência renal avançada ou quando outras medidas não conseguem reduzir rapidamente os níveis de potássio.

Quanto mais cedo a hipercalemia é identificada, maiores são as chances de controlá-la antes que seja necessário recorrer a esse tipo de tratamento.

Conheça o Lokelma®: medicamento que ajuda a reduzir os níveis de potássio

Quando indicado pelo médico, uma das opções de tratamento é o Lokelma (ciclossilicato de zircônio e sódio).

O medicamento é utilizado para o tratamento da hipercalemia em adultos e atua capturando o excesso de potássio no trato gastrointestinal, favorecendo sua eliminação pelas fezes. Um dos diferenciais do Lokelma é sua ação relativamente rápida. Estudos clínicos demonstram que ele pode começar a reduzir as concentrações de potássio já na primeira hora após a administração, conforme descrito em sua bula aprovada pela Anvisa.

Como utilizar?

O medicamento é apresentado em sachês de pó para suspensão oral. Dessa forma, o conteúdo do sachê deve ser misturado em água e ingerido logo após o preparo, seguindo rigorosamente a dose e a frequência prescritas pelo médico. É importante não alterar a quantidade ou interromper o tratamento sem orientação profissional.

Como armazenar?

O Lokelma® deve ser mantido em temperatura ambiente, protegido da umidade e do calor excessivo, sempre conforme as orientações presentes na embalagem e na bula.

Se o seu médico indicou esse tratamento, conheça o Lokelma disponível na Drogaria Araujo.

Controlar o potássio é proteger os rins e o coração

O controle da hipercalemia vai muito além de normalizar um exame laboratorial. Manter o potássio alto sob controle significa reduzir o risco de complicações, preservar a função dos rins e proteger um dos órgãos mais importantes do corpo: o coração.

O acompanhamento médico, os exames periódicos, a alimentação adequada e o uso correto dos medicamentos fazem parte desse cuidado contínuo.

Na Drogaria Araujo, você encontra medicamentos como o Lokelma®, além de uma equipe preparada para esclarecer dúvidas sobre o tratamento. E, como se trata de um medicamento de alto custo, a Araujo oferece diferentes formas de pagamento para facilitar o acesso ao tratamento prescrito pelo seu médico.

Para entender melhor essa condição, aproveite para ler também nosso conteúdo completo sobre hipercalemia.

Perguntas frequentes sobre potássio alto

Potássio alto tem cura?

O potássio alto no sangue, ou hipercalemia, é uma condição que pode ser controlada, mas nem sempre pode ser considerada curada. Tudo depende da causa do problema. Quando o aumento do potássio é provocado por um medicamento ou por um episódio de desidratação, por exemplo, os níveis costumam voltar ao normal após o tratamento adequado. 

Já em pessoas com doença renal crônica ou insuficiência cardíaca, o controle do potássio geralmente faz parte de um acompanhamento contínuo, com ajustes na alimentação, uso de medicamentos e monitoramento periódico dos exames.

Potássio alto pode matar?

Sim. Quando não é tratado, o potássio alto pode provocar alterações importantes na atividade elétrica do coração, aumentando o risco de arritmias graves e, em situações extremas, parada cardíaca. 

No entanto, essas complicações podem ser evitadas quando a hipercalemia é diagnosticada precocemente e tratada conforme orientação médica. Por isso, pessoas com doenças renais ou cardíacas devem realizar acompanhamento regular e manter os exames em dia.

Potássio alto causa sintomas?

Nem sempre. Em muitos casos, o potássio alto no sangue não provoca sintomas, principalmente quando a elevação é leve. Quando os níveis aumentam de forma mais significativa, podem surgir sinais como fraqueza muscular, cansaço, formigamento, náuseas, palpitações e alterações no ritmo cardíaco. Como a hipercalemia pode evoluir silenciosamente, o acompanhamento por meio de exames laboratoriais é essencial para o diagnóstico precoce.

Quem faz hemodiálise sempre tem potássio alto?

Não. A hemodiálise ajuda justamente a remover o excesso de potássio do sangue quando os rins já não conseguem realizar essa função adequadamente. Mesmo assim, pessoas em diálise precisam seguir as orientações médicas e nutricionais, pois o potássio pode voltar a se elevar entre as sessões caso a alimentação, os medicamentos ou outras condições de saúde favoreçam esse aumento.

O Lokelma® substitui a dieta?

Não. O Lokelma® faz parte do tratamento da hipercalemia quando indicado pelo médico, mas ele não substitui uma alimentação adequada nem o acompanhamento profissional. O controle do potássio alto costuma envolver um conjunto de medidas, que podem incluir ajustes na dieta, uso de medicamentos, monitoramento dos exames e tratamento da doença que está causando a hipercalemia. 

Seguir todas as orientações da equipe de saúde é a melhor forma de manter os níveis de potássio sob controle e reduzir o risco de complicações.

Quem tem doença renal precisa cortar banana?

Não necessariamente. A banana é uma fruta rica em potássio, mas isso não significa que ela deva ser eliminada da alimentação de todas as pessoas com doença renal. A necessidade de restringir alimentos ricos em potássio depende dos resultados dos exames, do estágio da doença renal e da orientação do médico ou nutricionista. 

O mais importante é evitar mudanças na dieta por conta própria, já que cada paciente possui necessidades diferentes.

Fontes:

National Kidney Foundation

American Heart Association 

KDIGO (Kidney Disease: Improving Global Outcomes)

Nav Dasa

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