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Enxaqueca crônica: quais são as causas, os sintomas e como tratar?

mulher jovem de cabelos morenos sofrendo de enxaqueca crônica

Os sintomas da enxaqueca crônica podem transformar atividades simples do dia a dia em verdadeiros desafios. Mas como diferenciar uma crise de enxaqueca de uma dor de cabeça comum? 

A enxaqueca crônica é uma condição que vai muito além de uma simples dor de cabeça. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2025), a enxaqueca está entre as doenças mais incapacitantes do mundo, especialmente entre adultos em idade produtiva. Além disso, dados da OMS mostram que cerca de 1 bilhão de pessoas convivem com algum tipo de enxaqueca globalmente.

Quando as crises se tornam frequentes e repetitivas, o impacto na qualidade de vida pode ser significativo. Por isso, compreender os sintomas da enxaqueca crônica, identificar seus gatilhos e conhecer as opções de tratamento é fundamental para reduzir o sofrimento e recuperar o bem-estar.

Afinal, o que é uma enxaqueca crônica?

A enxaqueca crônica é uma doença neurológica de base genética que se manifesta por meio de crises recorrentes de dor de cabeça. Diferentemente do que muitas pessoas imaginam, ela não é apenas um sintoma, mas sim uma condição médica complexa que envolve alterações em diferentes mecanismos cerebrais relacionados à dor.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Cefaleia, considera-se enxaqueca crônica quando a pessoa apresenta dor de cabeça em 15 ou mais dias por mês durante pelo menos três meses, sendo que em pelo menos oito desses dias as características são compatíveis com enxaqueca.

É como se o sistema responsável pelo processamento da dor permanecesse constantemente em estado de alerta, tornando o cérebro mais sensível a estímulos que normalmente não causariam desconforto.

Leia mais: Enxaqueca: sintomas, causas e tratamentos

Quais são as causas da enxaqueca crônica? 

A enxaqueca crônica não surge por um único motivo. Na maioria dos casos, ela é resultado da combinação entre predisposição genética e fatores ambientais que favorecem o aparecimento das crises. Isso significa que duas pessoas expostas ao mesmo gatilho podem reagir de formas completamente diferentes. Enquanto uma não apresenta qualquer sintoma, outra pode desenvolver uma crise intensa de enxaqueca.

A hereditariedade exerce papel importante no desenvolvimento da doença. Pessoas com histórico familiar de enxaqueca têm maior probabilidade de apresentar a condição ao longo da vida. No entanto, a genética não explica tudo. Diversos fatores do dia a dia podem contribuir para o surgimento, agravamento ou aumento da frequência das crises. Entre as principais causas e fatores desencadeantes da enxaqueca crônica estão:

  • Histórico familiar de enxaqueca;
  • Alterações hormonais, especialmente durante o ciclo menstrual, gravidez ou menopausa;
  • Estresse emocional e sobrecarga mental;
  • Privação ou excesso de sono;
  • Jejum prolongado ou alimentação irregular;
  • Consumo excessivo de bebidas alcoólicas;
  • Certos alimentos e bebidas, como ultraprocessados, embutidos, adoçantes artificiais e excesso de cafeína em pessoas mais sensíveis;
  • Uso frequente de analgésicos e outros medicamentos para dor;
  • Mudanças bruscas de temperatura, pressão atmosférica ou clima; e
  • Exposição intensa à luz, ruídos elevados ou odores fortes.

Além desses fatores, é comum que pessoas com enxaqueca relatem crises desencadeadas por períodos de intensa ansiedade, alterações na rotina ou até mesmo pela combinação de vários gatilhos ao mesmo tempo. É como se o cérebro funcionasse com um limiar mais sensível para determinados estímulos, tornando-o mais vulnerável ao aparecimento das crises.

Por esse motivo, uma das etapas mais importantes do tratamento é aprender a reconhecer os fatores que antecedem a dor. Manter um diário de sintomas, registrando alimentação, qualidade do sono, nível de estresse e frequência das crises, pode ajudar o médico a identificar padrões e definir estratégias mais eficazes de controle.

Qual é a diferença entre uma enxaqueca crônica, enxaqueca comum e dor de cabeça?

Nem toda dor de cabeça é uma enxaqueca. E nem toda enxaqueca é considerada crônica. A principal diferença está na frequência, intensidade e nos sintomas associados.

CondiçãoFrequênciaIntensidadeSintomas associados
Dor de cabeça comumOcasionalLeve a moderadaGeralmente sem outros sintomas
Enxaqueca episódicaMenos de 15 dias por mêsModerada a intensaNáuseas, sensibilidade à luz e sons
Enxaqueca crônica15 ou mais dias por mêsModerada a intensaSintomas persistentes e impacto importante na rotina

Enquanto uma dor de cabeça comum costuma melhorar com repouso ou hidratação, a enxaqueca frequentemente provoca limitações significativas nas atividades diárias.

Leia mais: Dor de cabeça: conheça as principais causas, tipos, tratamentos e cuidados

Sintomas de enxaqueca crônica

Observar os sintomas é um dos primeiros passos para diferenciar uma dor de cabeça comum de uma possível enxaqueca crônica. Embora a dor seja a manifestação principal, ela raramente aparece sozinha.

Os sintomas mais comuns incluem:

  • Dor intensa e latejante;
  • Dor concentrada em apenas um lado da cabeça;
  • Sensação pulsátil;
  • Piora durante atividades físicas;
  • Náuseas;
  • Vômitos;
  • Sensibilidade à luz (fotofobia);
  • Sensibilidade aos sons (fonofobia);
  • Sensibilidade a odores;
  • Dificuldade de concentração; e
  • Cansaço excessivo.

Em muitos casos, a intensidade da dor é tão elevada que a pessoa precisa interromper compromissos profissionais, sociais e familiares.

Outro ponto importante é que as crises podem durar de algumas horas até vários dias, especialmente quando não recebem tratamento adequado.

Sintomas da enxaqueca com aura

A enxaqueca com aura é um subtipo que apresenta manifestações neurológicas temporárias antes ou durante a crise.

Essas alterações costumam durar entre 5 e 60 minutos e funcionam como um aviso de que a dor está prestes a começar.

Os sintomas mais frequentes incluem:

  • Visão embaçada;
  • Pontos brilhantes ou cintilantes;
  • Áreas de perda parcial da visão;
  • Pontos cegos;
  • Sensação de formigamento no rosto;
  • Formigamento nas mãos ou braços;
  • Dificuldade para falar; e
  • Alterações sensoriais temporárias.

Além da aura, a pessoa também pode apresentar os sintomas clássicos da enxaqueca, como:

  • Náuseas e vômitos;
  • Sensibilidade à luz;
  • Sensibilidade aos sons; e
  • Sensibilidade a cheiros fortes.

Embora possa causar preocupação, a aura geralmente é reversível. Ainda assim, seu aparecimento deve ser avaliado por um médico para confirmar o diagnóstico e descartar outras condições neurológicas.

Como aliviar e tratar a enxaqueca crônica

Enxaqueca crônica tem cura? Atualmente, não existe uma cura definitiva para a enxaqueca crônica. Porém, existem tratamentos capazes de reduzir significativamente a frequência das crises, diminuir a intensidade da dor e melhorar a qualidade de vida.

Por isso, quando falamos sobre tratamento de enxaqueca crônica, o foco está no controle da doença e na identificação dos fatores que desencadeiam as crises.

Medicamentos

Os tratamentos medicamentosos geralmente são divididos em duas categorias:

Medicamentos para crise

Utilizados quando a dor já começou, com o objetivo de aliviar os sintomas.

Medicamentos preventivos
Indicados para pessoas com crises frequentes, intensas ou incapacitantes. Eles ajudam a reduzir o número de episódios ao longo do tempo.

A escolha do tratamento deve sempre ser individualizada e orientada por um neurologista.

Mudanças no estilo de vida

Hábitos saudáveis podem funcionar como uma espécie de escudo protetor contra os gatilhos da enxaqueca. Entre as recomendações mais importantes estão:

  • Manter horários regulares de sono;
  • Evitar longos períodos em jejum;
  • Praticar atividade física regularmente;
  • Manter uma alimentação equilibrada;
  • Reduzir o consumo excessivo de álcool; e
  • Identificar e evitar gatilhos individuais.

Fisioterapia e massagens

Quando há tensão muscular associada, especialmente na região cervical e dos ombros, a fisioterapia pode ajudar a reduzir desconfortos que contribuem para o agravamento das crises.

Massagens terapêuticas também podem ser recomendadas em alguns casos, sempre como complemento ao tratamento principal.

Técnicas de relaxamento

O estresse é um dos gatilhos mais relatados por quem convive com enxaqueca. Por isso, estratégias como:

  • Yoga;
  • Meditação;
  • Exercícios respiratórios;
  • Terapias psicológicas; e
  • Técnicas de mindfulness.

Essas práticas podem auxiliar no controle emocional e contribuir para a redução da frequência das crises.

Ajovy: remédio preventivo para enxaqueca crônica

Entre as opções mais modernas para prevenção da enxaqueca está o Ajovy® 225 mg.

O medicamento é indicado para o tratamento preventivo da enxaqueca crônica em adultos que apresentam crises frequentes, intensas ou que não obtêm controle adequado apenas com tratamentos para alívio imediato da dor.

O Ajovy atua bloqueando a ação do CGRP (peptídeo relacionado ao gene da calcitonina), uma substância envolvida nos mecanismos que desencadeiam a enxaqueca.

Ao impedir a ação desse peptídeo, o medicamento ajuda a reduzir a frequência das crises e a melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Entre suas características estão:

  • Uso preventivo;
  • Aplicação por via subcutânea;
  • Pode ser administrado mensalmente conforme prescrição médica; e
  • Desenvolvido especificamente para prevenção da enxaqueca.

É importante destacar que o medicamento deve ser utilizado somente sob orientação médica.

Por que a automedicação pode causar mais dor?

Muitas pessoas ainda acreditam que enxaqueca é apenas uma dor de cabeça mais forte. Por isso, recorrem frequentemente a analgésicos sem avaliação médica.

O problema é que o uso excessivo desses medicamentos pode provocar um efeito contrário ao esperado. Segundo a Sociedade Brasileira de Cefaleia, a chamada cefaleia por uso excessivo de medicamentos é uma das principais causas da cronificação da enxaqueca.

Em outras palavras: quanto mais a pessoa se automedica, maiores podem ser as chances de a dor se tornar recorrente.

Além disso, o acompanhamento médico é fundamental para:

  • Confirmar o diagnóstico;
  • Identificar fatores desencadeantes;
  • Escolher o tratamento adequado;
  • Avaliar a necessidade de medicamentos preventivos; e
  • Excluir outras doenças neurológicas.

Enxaqueca crônica: entender os sintomas é o primeiro passo para o controle

Reconhecer os sintomas da enxaqueca crônica e buscar orientação especializada pode fazer toda a diferença na qualidade de vida. Embora a condição não tenha cura definitiva, existem diversas estratégias capazes de reduzir a frequência e a intensidade das crises.

Se você percebe que as dores de cabeça estão cada vez mais frequentes ou impactando sua rotina, procure avaliação médica. Quanto mais cedo o diagnóstico for realizado, maiores são as chances de encontrar o tratamento mais adequado para controlar a doença.

E se o especialista indicar um tratamento preventivo, opções como o Ajovy podem fazer parte da estratégia terapêutica para ajudar a recuperar dias sem dor e mais qualidade de vida.

Este artigo foi revisado pelo farmacêutico técnico Hairton Ayres Azevedo Guimarães CRF 10.965

Fontes: 

Organização Mundial da Saúde

Sociedade Brasileira de Cefaleia

International Headache Society

NavDasa

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