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TDAH: sintomas, como identificar, diagnóstico e tratamento

criança com tdah fazendo atividades

Você tem dificuldade para se concentrar, começa várias tarefas e termina poucas, esquece compromissos ou sente que sua mente está sempre com muitas abas abertas? Esses podem ser sinais de TDAH, mas também podem aparecer em outras situações. Por isso, entender o que caracteriza o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade é o primeiro passo para diferenciar uma distração ocasional de uma condição que pode afetar a rotina.

Segundo o Ministério da Saúde (2022), estima-se que entre 5% e 8% da população mundial apresenta TDAH. 

O transtorno pode comprometer a vida acadêmica, profissional, familiar e social e, embora seja geralmente identificado na infância, pode continuar na vida adulta.

Nos últimos anos, o tema ganhou mais espaço. Isso não significa necessariamente que mais pessoas passaram a ter TDAH, mas que a condição passou a ser mais reconhecida e investigada, inclusive entre adultos. O diagnóstico tardio é possível porque alguns sinais podem ter sido interpretados durante anos apenas como “falta de organização”, “desatenção” ou “preguiça”.

Neste artigo, você vai entender como identificar TDAH, quais são os principais sinais, como funciona o diagnóstico e quais estratégias fazem parte do tratamento.

O que é TDAH?

O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade, conhecido pela sigla TDAH, é um transtorno do neurodesenvolvimento associado a dificuldades persistentes de atenção, controle dos impulsos e regulação do nível de atividade.

O TDAH está relacionado a alterações de início precoce no desenvolvimento. Os sintomas começam na infância, embora nem sempre sejam reconhecidos nessa fase, e podem persistir ao longo da vida.

Pense na atenção como um sistema que precisa selecionar, organizar e sustentar informações. No TDAH, esse sistema pode apresentar dificuldades para administrar prioridades, controlar impulsos e manter o foco em determinadas atividades.

Isso não significa falta de inteligência ou de interesse. Uma pessoa com TDAH pode, por exemplo, ter dificuldade para iniciar uma tarefa simples e, em outro momento, permanecer profundamente envolvida em uma atividade que considera interessante. Esse fenômeno é frequentemente chamado de hiperfoco, embora não seja um critério diagnóstico isolado.

O TDAH pode se apresentar predominantemente com desatenção, predominantemente com hiperatividade e impulsividade ou pela combinação dessas características. Os sintomas também podem mudar conforme a idade.

Quais são os sintomas de TDAH?

Os sinais não aparecem exatamente da mesma maneira em todas as pessoas. Crianças podem apresentar mais agitação física, enquanto adultos podem perceber principalmente dificuldades de organização, gerenciamento do tempo e atenção. Entre os sintomas de desatenção, estão:

  • dificuldade para manter o foco em tarefas ou conversas;
  • esquecer compromissos, objetos ou atividades;
  • perder detalhes importantes;
  • dificuldade para seguir instruções ou concluir tarefas;
  • facilidade para se distrair;
  • dificuldade para organizar atividades; e
  • tendência a deixar tarefas incompletas.

Já os sintomas de hiperatividade e impulsividade podem incluir:

  • inquietação ou dificuldade para permanecer parado;
  • falar excessivamente;
  • interromper outras pessoas;
  • dificuldade para esperar a própria vez;
  • agir antes de pensar nas consequências;
  • sensação constante de estar “a mil”; e
  • dificuldade para desacelerar.

O TDAH com predominância de hiperatividade e impulsividade, portanto, é apenas uma das formas de apresentação da condição. Nem toda pessoa com TDAH é agitada ou fala muito. Em algumas, a desatenção é predominante e pode passar despercebida por bastante tempo.

De acordo com o Centers for Disease Control and Prevention (CDC, 2026), os sintomas podem ser predominantemente desatentos, predominantemente hiperativos-impulsivos ou combinados. A intensidade e a apresentação também podem mudar ao longo da vida.

Um ponto importante: esquecer a chave, perder a concentração durante uma reunião ou procrastinar de vez em quando não significa ter TDAH. O diagnóstico considera a persistência dos sintomas e o impacto que eles provocam no funcionamento da pessoa.

Quais são as causas do TDAH?

Não existe uma única causa para o TDAH. A condição é multifatorial e envolve uma combinação de fatores genéticos, neurobiológicos e ambientais.

A genética tem papel importante. O CDC aponta a hereditariedade como um dos principais fatores associados ao risco de TDAH. Também são investigados fatores relacionados à gestação e ao desenvolvimento, incluindo exposição a álcool e tabaco durante a gravidez, exposição a chumbo e outras condições relacionadas à gestação e à saúde infantil.

Entre os fatores associados ao risco estão:

  • histórico familiar de TDAH;
  • exposição a determinadas substâncias durante a gestação;
  • nascimento prematuro;
  • baixo peso ao nascer;
  • exposição ambiental ao chumbo; e
  • algumas condições de saúde e fatores relacionados ao desenvolvimento.

Isso não significa que um desses fatores, isoladamente, cause TDAH. São elementos associados ao risco, dentro de uma condição complexa.

Também é importante desfazer um mito: TDAH não é resultado de falta de disciplina, má criação ou simplesmente excesso de telas.

Como é feito o diagnóstico do TDAH 

Aqui está uma das partes mais importantes para quem procura saber como é o diagnóstico do TDAH: não existe um exame único capaz de confirmar a condição.

O diagnóstico é clínico e multidimensional. Segundo o Ministério da Saúde, ele pode contar com o suporte de escalas e testes específicos.

Na avaliação, o profissional considera o histórico da pessoa, os sintomas, a idade em que começaram, os ambientes em que aparecem e os prejuízos provocados na vida cotidiana.

Também podem ser utilizados:

  • entrevistas clínicas;
  • questionários de autorrelato;
  • escalas de avaliação comportamental;
  • informações de familiares, professores ou outras pessoas próximas;
  • avaliação do histórico escolar e profissional; e
  • testes neuropsicológicos, quando indicados.

O diagnóstico deve considerar uma avaliação clínica e psicossocial completa, incluindo histórico do desenvolvimento, comportamento em diferentes ambientes e possíveis condições coexistentes. Escalas de avaliação podem ajudar, mas não devem ser utilizadas isoladamente para estabelecer o diagnóstico.

Isso é importante porque ansiedade, depressão, alterações do sono, dificuldades de aprendizagem e outras condições podem apresentar sintomas parecidos. Por isso, um teste encontrado na internet pode levantar uma dúvida, mas não substitui uma avaliação profissional.

Leia mais: Ansiedade: o que é, sintomas e formas de controle

Como é o tratamento do TDAH?

O tratamento é individualizado. A estratégia depende da idade, intensidade dos sintomas, impacto na rotina e presença de outras condições de saúde.

Em crianças e adolescentes, podem fazer parte do cuidado:

  • acompanhamento médico;
  • psicoterapia;
  • orientação aos pais e responsáveis;
  • estratégias comportamentais;
  • acompanhamento escolar;
  • apoio psicopedagógico, quando necessário; e
  • adaptações de rotina e organização.

Em adultos, intervenções psicológicas estruturadas podem ajudar a lidar com os sintomas e as dificuldades do dia a dia. A terapia cognitivo-comportamental (TCC) é uma das abordagens utilizadas no tratamento e pode trabalhar, por exemplo, estratégias de organização, planejamento e manejo das dificuldades relacionadas ao TDAH. 

Em alguns casos, o tratamento também inclui medicamentos. A escolha depende da avaliação médica, das características individuais e de possíveis comorbidades.

A ideia não é simplesmente tirar os sintomas, mas melhorar o funcionamento cotidiano. Afinal, tratamento eficaz precisa fazer diferença na vida real: nos estudos, no trabalho, nos relacionamentos e na capacidade de organizar a própria rotina.

Quais medicamentos são usados no tratamento do TDAH? 

Os medicamentos para TDAH devem ser utilizados somente com prescrição e acompanhamento médico. A escolha do princípio ativo, dose e apresentação depende da avaliação individual.

Conheça alguns dos medicamentos disponíveis na Araujo que contêm princípios ativos utilizados no tratamento do TDAH. 

Atentah

O Atentah tem como princípio ativo o cloridrato de atomoxetina. É um medicamento não estimulante indicado para o tratamento do TDAH em crianças a partir de 6 anos, adolescentes e adultos. A atomoxetina atua na recaptação de norepinefrina e pode ajudar a melhorar a atenção e reduzir impulsividade e hiperatividade.

Uma de suas características é justamente não pertencer à classe dos estimulantes tradicionalmente utilizados no tratamento do TDAH. A indicação, porém, deve ser definida pelo médico.

Venvanse

O Venvanse contém dimesilato de lisdexanfetamina, um estimulante do sistema nervoso central. É indicado para o tratamento do TDAH em crianças a partir de 6 anos e adultos, contribuindo para melhorar atenção, concentração e controle dos impulsos.

O medicamento é de venda sob prescrição e exige retenção de receita. A dose e a duração do tratamento devem ser determinadas pelo médico.

Dimesilato de Lisdexanfetamina

O dimesilato de lisdexanfetamina é o princípio ativo presente no Venvanse e também está disponível em versões genéricas, como a apresentada pela Pharlab.

Assim como outros medicamentos dessa classe, pode ser utilizado no tratamento do TDAH quando indicado pelo médico. A versão genérica possui o mesmo princípio ativo, mas marca, fabricante e excipientes podem ser diferentes.

Juneve

O Juneve também tem como princípio ativo o dimesilato de lisdexanfetamina e é indicado para o tratamento do TDAH em crianças acima de 6 anos, adolescentes e adultos. É um medicamento estimulante e deve ser utilizado conforme prescrição e acompanhamento médico.

Concerta

O Concerta contém cloridrato de metilfenidato, um estimulante utilizado no tratamento do TDAH. A formulação de liberação prolongada permite uma administração diferente das apresentações de ação imediata, mas a escolha da formulação depende da avaliação médica e das necessidades de cada pessoa.

Importante: a resposta ao tratamento varia, e o acompanhamento profissional é fundamental para avaliar benefícios, efeitos adversos, ajustes de dose e continuidade da terapia. A medicação deve ser iniciada por profissional capacitado, que poderá acompanhar sua eficácia e possíveis efeitos adversos.

TDAH tem tratamento: informação também faz parte do cuidado

Identificar sintomas do TDAH não significa fechar um diagnóstico por conta própria. Significa reconhecer sinais que merecem atenção e buscar uma avaliação adequada.

O TDAH pode acompanhar a pessoa por diferentes fases da vida, mas existem estratégias para reduzir os impactos da condição e melhorar a rotina. O tratamento pode envolver psicoterapia, intervenções comportamentais, suporte escolar ou profissional e, quando indicado, medicamentos.

Se você ou alguém da sua família percebe sinais persistentes de desatenção, hiperatividade ou impulsividade que interferem nos estudos, trabalho, relacionamentos ou atividades do dia a dia, converse com um profissional de saúde.

A Araujo também conta com uma equipe preparada para orientar dúvidas sobre medicamentos e cuidados relacionados à saúde. Afinal, informação confiável é parte importante de qualquer cuidado, especialmente quando o assunto é saúde mental.

Perguntas frequentes sobre TDAH

1. Como identificar se uma pessoa tem TDAH?

A identificação começa pela observação de sintomas persistentes de desatenção, hiperatividade e/ou impulsividade que interferem na rotina. Porém, somente uma avaliação profissional pode determinar se esses sinais são realmente decorrentes do TDAH.

2. Quais são os primeiros sinais de TDAH?

Entre os sinais mais comuns estão dificuldade de manter a atenção, esquecimentos frequentes, desorganização, inquietação, impulsividade e dificuldade para concluir tarefas. A apresentação varia conforme a idade e a pessoa.

3. Adultos podem ter TDAH?

Sim. Embora o TDAH seja um transtorno do neurodesenvolvimento que começa na infância, os sintomas podem persistir na vida adulta. Nessa fase, podem aparecer como dificuldade para administrar o tempo, organizar tarefas, cumprir prazos, manter o foco e controlar impulsos.

4. Existe exame para diagnosticar TDAH?

Não existe um exame único capaz de confirmar o TDAH. O diagnóstico é clínico e considera histórico, sintomas, comportamento em diferentes ambientes e os impactos provocados na vida da pessoa. Questionários e escalas podem complementar a avaliação, mas não substituem a análise profissional.

5. TDAH tem cura ou tratamento?

O TDAH pode ser tratado e acompanhado ao longo da vida. O tratamento é individualizado e pode envolver psicoterapia, estratégias comportamentais, apoio escolar ou profissional e, quando indicado, medicamentos.

6. Qual é o melhor medicamento para TDAH?

Não existe um único medicamento considerado melhor para todas as pessoas. A escolha depende de fatores como idade, sintomas, resposta ao tratamento, efeitos adversos e presença de outras condições de saúde. A medicação deve ser prescrita e acompanhada por um profissional habilitado.

7. TDAH pode ser tratado sem medicamentos?

Em alguns casos, estratégias não medicamentosas fazem parte do tratamento, como psicoterapia, intervenções comportamentais, organização da rotina e suporte escolar ou profissional. A necessidade de medicamentos deve ser avaliada individualmente por um profissional de saúde.

Fontes: 

Ministério da Saúde

Centers for Disease Control and Prevention

Rede D’or

Blog Dr. Drauzio Varella

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