Sentir tristeza por alguns dias faz parte da vida. Mas quando a falta de interesse, desânimo e outros sintomas persistem e começam a interferir na rotina, nos relacionamentos e no trabalho, pode ser hora de procurar ajuda.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2026), cerca de 5,2% dos adultos no mundo apresentam depressão, condição diferente das oscilações comuns de humor. A doença pode afetar diferentes áreas da vida, mas a boa notícia é que tem tratamento.
É nesse contexto que os antidepressivos entram em cena. Mas afinal, como funcionam os antidepressivos? Eles realmente aumentam a felicidade? Quanto tempo demoram para fazer efeito? E quais são os efeitos colaterais mais comuns?
As respostas são mais complexas do que parecem. Por isso, entender como esses medicamentos funcionam é um passo importante para usar o tratamento com segurança.
Se quiser entender primeiro o que caracteriza a doença, confira também nosso conteúdo sobre depressão.
Como o antidepressivo age no cérebro?
Os antidepressivos são medicamentos que atuam no sistema nervoso central e modificam a atividade de neurotransmissores, substâncias responsáveis pela comunicação entre as células nervosas.
Serotonina, noradrenalina e dopamina estão entre os neurotransmissores envolvidos em diferentes processos cerebrais, incluindo humor, atenção, motivação e resposta ao estresse.
Por isso, antidepressivos não são usados apenas para depressão. Dependendo do princípio ativo, podem fazer parte do tratamento de transtorno de ansiedade generalizada (TAG), transtorno do pânico, ansiedade social, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), dor neuropática e outras condições.
A escolha, porém, é individual e deve ser feita por um médico.
Conheça os principais neurotransmissores envolvidos
Serotonina
A serotonina participa da regulação do humor, sono, apetite e outros processos relacionados ao funcionamento emocional. Medicamentos como sertralina, fluoxetina e paroxetina aumentam a disponibilidade desse neurotransmissor entre os neurônios.
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Noradrenalina
A noradrenalina está envolvida em processos como atenção, alerta e resposta ao estresse. Alguns antidepressivos aumentam sua disponibilidade juntamente com a serotonina.
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Dopamina
A dopamina participa dos circuitos cerebrais relacionados à motivação, recompensa, atenção e movimento. A bupropiona, por exemplo, atua principalmente sobre os sistemas de noradrenalina e dopamina.
Isso não significa que depressão seja simplesmente consequência da falta de um neurotransmissor. A ciência atual mostra que os mecanismos da doença e dos antidepressivos são mais complexos.
Tipos de antidepressivos mais comuns
Os medicamentos pertencem a diferentes classes e apresentam mecanismos de ação, indicações e efeitos adversos distintos.
Inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS)
São alguns dos antidepressivos mais utilizados. Eles diminuem a recaptação da serotonina pelos neurônios, fazendo com que ela permaneça disponível por mais tempo na comunicação entre as células.
Entre os exemplos estão sertralina, fluoxetina e paroxetina.
Inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSN)
Atuam sobre dois neurotransmissores: serotonina e noradrenalina. Fazem parte dessa classe medicamentos como venlafaxina e duloxetina.
Antidepressivos atípicos
É um grupo diverso, com medicamentos que apresentam mecanismos diferentes do ISRS e IRSN. A bupropiona, por exemplo, é classificada como um inibidor da recaptação de noradrenalina e dopamina (NDRI: inibidor da recaptação de noradrenalina e dopamina).
Antidepressivos tricíclicos
São medicamentos mais antigos que atuam principalmente aumentando a disponibilidade de serotonina e noradrenalina. A amitriptilina é um exemplo.
Como também interagem com outros receptores, podem provocar efeitos como boca seca, constipação, visão turva, tontura e sonolência.
Moduladores de serotonina
Essa categoria reúne medicamentos que atuam sobre o sistema serotoninérgico por diferentes mecanismos. A trazodona, por exemplo, interfere na recaptação da serotonina e em determinados receptores serotoninérgicos.
Inibidores da monoamina oxidase (IMAO)
Esses medicamentos bloqueiam a ação de uma enzima chamada monoamina oxidase, responsável pela degradação de neurotransmissores como serotonina, noradrenalina e dopamina.
Atualmente, são menos utilizados no tratamento da depressão devido ao perfil de efeitos adversos e às interações com outros medicamentos e alimentos.
Conheça alguns antidepressivos
A Araujo conta com diferentes medicamentos sob prescrição médica. Conheça alguns deles:
- Donaren 50 mg: contém cloridrato de trazodona e é indicado para o tratamento da depressão, com ou sem ansiedade associada. Também possui indicações relacionadas a alguns tipos de dor crônica.
- Duloxetina 60 mg: tem como princípio ativo o cloridrato de duloxetina, um IRSN indicado para depressão, TAG e algumas condições relacionadas à dor crônica.
- Venlift OD 150 mg: contém cloridrato de venlafaxina. É indicado para depressão e também para alguns transtornos de ansiedade, como TAG, ansiedade social e transtorno do pânico.
- Zetron XL 150 mg: contém cloridrato de bupropiona e é indicado para o tratamento da depressão. Atua principalmente sobre os sistemas de noradrenalina e dopamina.
- Bupropiona 150 mg: também contém cloridrato de bupropiona e pertence à classe dos NDRIs.
- Sertralina 50 mg: contém cloridrato de sertralina, um ISRS utilizado em diferentes condições, incluindo depressão, transtorno do pânico, TOC e ansiedade social.
- Desvenlafaxina 100 mg: aumenta a disponibilidade de serotonina e noradrenalina e é indicada para o tratamento do transtorno depressivo maior.
- Pondera XR 25 mg: contém cloridrato de paroxetina, um ISRS indicado, entre outras situações, para depressão, transtorno do pânico e ansiedade social.
Quanto tempo o antidepressivo precisa para fazer efeito?
Antidepressivos não costumam produzir uma mudança imediata no humor. Segundo o National Institute of Mental Health (NIMH, 2024), a resposta pode levar, em geral, 4 a 8 semanas, embora alguns efeitos possam aparecer antes. A diretriz National Institute for Health and Care Excellence (NICE, 2022) orienta que, quando o medicamento funciona, os benefícios costumam ser percebidos dentro de 4 semanas.
Esse intervalo varia conforme o medicamento, a condição tratada e as características de cada pessoa.
Por isso, não é recomendado abandonar o tratamento por conta própria porque os primeiros dias não trouxeram a melhora esperada. Também não se deve interromper antidepressivos abruptamente. A suspensão deve ser orientada pelo médico, pois pode causar sintomas de retirada.
A depressão pode ser tratada com psicoterapia, medicamentos ou a combinação dos dois, conforme a necessidade de cada pessoa.
Antidepressivos: quais são os efeitos colaterais?
Nem todas as pessoas apresentam efeitos colaterais, e a intensidade pode variar conforme o medicamento, a dose e as características individuais. Alguns efeitos podem diminuir com o tempo, enquanto outros podem persistir durante o tratamento. Por isso, sintomas incômodos ou persistentes devem ser comunicados ao profissional responsável.
Entre os efeitos que podem aparecer estão:
- náusea;
- boca seca;
- tontura;
- sonolência ou alterações do sono;
- dor de cabeça;
- alterações gastrointestinais;
- aumento ou redução do apetite;
- alterações de peso;
- ansiedade ou agitação no início do tratamento; e
- redução da libido e outras alterações na função sexual.
Muitos desses sintomas podem diminuir depois das primeiras semanas, conforme o organismo se adapta ao medicamento. Outros podem persistir e precisam ser discutidos com o médico.
Os efeitos colaterais dos antidepressivos tricíclicos, por exemplo, podem envolver mais frequentemente boca seca, constipação, visão turva, tontura e sonolência. Já os ISRS podem causar náusea, alterações do sono e disfunção sexual.
Em pessoas mais jovens, especialmente menores de 25 anos, existe ainda uma recomendação de acompanhamento próximo no início do tratamento ou após mudanças de dose devido ao possível aumento de pensamentos ou comportamentos suicidas em alguns casos.
Se você ou alguém próximo estiver passando por uma situação de crise emocional ou pensando em tirar a própria vida, procure ajuda imediatamente. O CVV (Centro de Valorização da Vida) oferece apoio emocional gratuito e sigiloso pelo telefone 188, 24 horas por dia, todos os dias. Em uma situação de emergência, procure um serviço de saúde ou acione o SAMU pelo 192.
Como escolher o antidepressivo ideal?
Não existe um antidepressivo universalmente melhor. O medicamento adequado depende do diagnóstico, intensidade dos sintomas, histórico de tratamentos, outras condições de saúde, medicamentos em uso, possíveis efeitos adversos e resposta individual.
Com isso, a escolha deve ser feita pelo médico, geralmente com acompanhamento durante as primeiras semanas.
Hábitos que também cuidam da saúde mental
A OMS recomenda manter atividades prazerosas, fortalecer vínculos sociais, praticar exercícios regularmente e preservar hábitos de alimentação e sono.
Pratique exercícios físicos
Caminhar, dançar, pedalar ou praticar outra atividade de que você goste pode contribuir para o bem-estar e fazer parte de uma rotina de cuidado com a saúde mental.
Leia mais: Exercício físico: principais benefícios e como começar
Meditação: descubra aqui o segredo para uma mente saudável
Mantenha uma boa hidratação
A água participa de processos essenciais do organismo, inclusive do funcionamento cerebral. Manter uma hidratação adequada ajuda a cuidar da saúde de forma ampla.
Cultive hobbies
Leitura, dança, música, artesanato, meditação e outras atividades prazerosas podem ajudar a reservar espaço na rotina para descanso, prazer e conexão.
Cuidar da mente também é cuidar da vida
Entender como funcionam os antidepressivos ajuda a substituir expectativas imediatistas por informação. Esses medicamentos podem ser importantes no tratamento da depressão e de outros transtornos, mas precisam ser escolhidos e acompanhados por profissionais de saúde.
E os efeitos colaterais? Eles existem, mas variam de pessoa para pessoa e podem mudar ao longo do tratamento. Sendo assim, qualquer sintoma novo ou incômodo deve ser comunicado ao médico, sem interromper a medicação por conta própria.
Se você ou alguém próximo apresenta sintomas persistentes de depressão, ansiedade ou outras alterações emocionais, procure orientação profissional. Informação é o primeiro passo. Tratamento adequado é o caminho para transformar essa informação em cuidado.
Este artigo foi revisado pelo farmacêutico técnico Hairton Ayres Azevedo Guimarães CRF 10.965
Fontes:
National Institute of Mental Health (NIMH)