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Tratamento medicamentoso da obesidade: conheça as opções não injetáveis

Tratamento medicamentoso da obesidade: conheça as opções não injetáveis

E se o desafio de emagrecer não dependesse apenas de comer menos e se movimentar mais? A obesidade é uma doença crônica e multifatorial, influenciada por fatores genéticos, metabólicos, ambientais e comportamentais. Por isso, em alguns casos, mudar a alimentação e praticar exercícios não é suficiente para alcançar e manter uma perda de peso saudável.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 890 milhões de adultos viviam com obesidade no mundo em 2022, o equivalente a 16% da população adulta. No Brasil, a prevalência chegou a 25,7% entre os adultos das capitais e do Distrito Federal em 2024, de acordo com o Ministério da Saúde.

Quando há indicação médica, o tratamento medicamentoso para obesidade pode ajudar a controlar o peso e reduzir os riscos associados à doença. Além das canetas emagrecedoras, existem opções orais com diferentes mecanismos de ação, que podem atuar no apetite, na saciedade ou na absorção de gordura.

Mas quando esses medicamentos são indicados? Quais são as opções não injetáveis e que cuidados exigem? Entenda como funcionam os principais tratamentos e por que a escolha deve considerar as necessidades de cada pessoa.

Quando tomar remédio para emagrecer?

O tratamento medicamentoso da obesidade pode ser indicado quando as mudanças no estilo de vida não são suficientes para alcançar ou manter uma perda de peso saudável, especialmente quando existem condições de saúde associadas ao excesso de peso.

Em adultos, o índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 30 kg/m² caracteriza obesidade. O IMC é calculado dividindo o peso, em quilogramas, pela altura, em metros, elevada ao quadrado. Embora seja uma referência útil, ele não deve ser analisado isoladamente: a distribuição de gordura, a circunferência abdominal e as condições clínicas também importam.

Conforme a Diretriz Brasileira de Tratamento Farmacológico da Obesidade (ABESO, 2026), a farmacoterapia pode ser recomendada para pessoas com IMC igual ou superior a 30 kg/m² ou a 27 kg/m² quando há complicações relacionadas à adiposidade.

Entre essas complicações estão hipertensão arterial, alterações nos níveis de colesterol e triglicerídeos, apneia do sono e diabetes tipo 2.

Isso não significa que qualquer pessoa que queira perder alguns quilos precise de medicamentos. A indicação considera os riscos à saúde, o histórico clínico, as tentativas anteriores de tratamento e os benefícios esperados.

O endocrinologista é um dos profissionais que podem avaliar essa necessidade, definir as metas e acompanhar a resposta ao tratamento. Em todos os casos, a medicação deve ser associada a mudanças sustentáveis na rotina, e não utilizada como substituta delas.

Para entender melhor os fatores envolvidos nessa condição, leia também nosso guia completo sobre obesidade, causas e riscos.

Entenda como os remédios para emagrecer funcionam

Os medicamentos usados para obesidade não agem todos da mesma maneira. Cada princípio ativo tem um mecanismo de ação específico, e conhecer essas diferenças ajuda a entender por que um tratamento adequado para uma pessoa pode não ser a melhor escolha para outra.

Diminuir o apetite e aumentar a saciedade

Alguns medicamentos atuam no sistema nervoso central, interferindo nos mecanismos que regulam a fome, a saciedade e a recompensa alimentar. Com isso, podem ajudar a reduzir a vontade de comer ou fazer com que a sensação de satisfação apareça mais cedo.

A sibutramina e a associação de naltrexona com bupropiona são exemplos de medicamentos que atuam em vias cerebrais relacionadas ao controle do comportamento alimentar, embora utilizem mecanismos diferentes.

Reduzir a absorção de gordura

Outra estratégia é diminuir a quantidade de gordura absorvida pelo organismo durante a digestão. O orlistate, por exemplo, inibe enzimas chamadas lipases, responsáveis por quebrar as gorduras dos alimentos no intestino.

Assim, parte da gordura ingerida não é absorvida e acaba sendo eliminada pelas fezes. O efeito depende, portanto, da composição das refeições.

Atuar nos mecanismos hormonais da fome e da saciedade

Alguns medicamentos para obesidade atuam em vias hormonais relacionadas à alimentação. É o caso dos agonistas do receptor de GLP-1, que imitam a ação de um hormônio intestinal envolvido na saciedade e no controle da glicose. Muitos dos medicamentos dessa classe são administrados por injeção.

É importante fazer uma distinção: nem todo medicamento para emagrecer estimula a liberação de insulina. Esse efeito depende do mecanismo de ação de cada substância. Por isso, compreender a classe do medicamento é fundamental para comparar as opções de tratamento.

Tratamento medicamentoso da obesidade: conheça as opções orais

Entre os medicamentos não injetáveis utilizados no tratamento da obesidade estão a sibutramina, o orlistate e a associação de naltrexona com bupropiona. Eles apresentam mecanismos, contraindicações e possíveis efeitos adversos diferentes.

A seguir, entenda as características de cada opção. A descrição de um medicamento não significa que ele seja indicado para todas as pessoas.

Sibutramina: ação sobre a fome e a saciedade

A sibutramina atua no sistema nervoso central, inibindo a recaptação de noradrenalina e serotonina. Esse mecanismo pode contribuir para aumentar a saciedade e reduzir a ingestão de alimentos, auxiliando no controle do peso quando o medicamento faz parte de um plano terapêutico.

Um exemplo é a Sibutramina 15 mg da Eurofarma. 

Quais são os benefícios esperados?

Quando há indicação adequada, a sibutramina pode ajudar a reduzir a ingestão alimentar e favorecer a perda de peso. A resposta varia entre os pacientes e deve ser avaliada ao longo do acompanhamento.

Quais cuidados são necessários?

A sibutramina pode elevar a pressão arterial e a frequência cardíaca. Por isso, exige avaliação criteriosa e monitoramento durante o tratamento. Ela não é indicada para quem tem certas condições do coração e dos vasos sanguíneos, entre outras situações de saúde. Por isso, a avaliação médica é essencial antes de começar.

No Brasil, seu uso está sujeito a regras específicas de prescrição e dispensação, incluindo controle especial. Nunca utilize o medicamento por conta própria nem compartilhe sua prescrição.

Orlistate: menor absorção da gordura dos alimentos

O orlistate atua principalmente no trato gastrointestinal. Ele inibe as lipases e reduz a absorção de parte da gordura ingerida nas refeições. Como sua ação ocorre predominantemente no intestino, seu mecanismo é diferente daquele dos medicamentos que atuam diretamente no cérebro.

Entre as opções disponíveis na Araujo estão:

Quais são os benefícios esperados?

O orlistate pode contribuir para a perda de peso quando associado a uma alimentação equilibrada e com controle da ingestão de gorduras. Seu efeito não depende de reduzir diretamente a fome.

Quais cuidados são necessários?

Entre os efeitos adversos mais comuns estão fezes oleosas, gases com eliminação de óleo, urgência para evacuar e aumento das evacuações. Esses efeitos podem ser mais intensos quando as refeições contêm muita gordura.

O medicamento também pode diminuir a absorção de vitaminas lipossolúveis, como A, D, E e K. Por isso, o profissional de saúde pode avaliar a necessidade de suplementação e orientar sobre o intervalo adequado entre os produtos.

Pessoas com determinadas condições intestinais ou outras contraindicações precisam de avaliação específica antes de utilizar o medicamento.

Naltrexona com bupropiona: ação sobre os circuitos cerebrais

A associação de naltrexona e bupropiona atua em regiões do cérebro envolvidas na regulação do apetite, na saciedade e nos mecanismos de recompensa relacionados à alimentação.

A bupropiona atua em substâncias do cérebro ligadas à motivação e ao humor, como dopamina e noradrenalina, enquanto a naltrexona bloqueia receptores opioides. Juntas, essas substâncias podem ajudar a modular sinais envolvidos na ingestão alimentar e no desejo de comer.

Uma opção comercial é o Contrave 90 mg + 8 mg, com 120 comprimidos de liberação prolongada.

Quais são os benefícios esperados?

A combinação pode auxiliar no controle do apetite e favorecer a perda de peso como parte de um tratamento estruturado. Cada pessoa responde de um jeito, e é por isso que o acompanhamento com o médico é tão importante.

Quais cuidados são necessários?

A associação pode causar náuseas, dor de cabeça, constipação e alterações do sono, entre outros efeitos. Ela também não é indicada em alguns casos, como pressão alta não controlada, histórico de convulsões ou uso de medicamentos opioides (como alguns analgésicos fortes). Por isso, conte ao seu médico tudo o que você usa e o seu histórico de saúde.

Assim como ocorre com outros medicamentos para obesidade, a indicação deve considerar os benefícios esperados, a tolerabilidade e as condições de saúde de cada paciente. 

Medicamentos orais ou injetáveis: como escolher?

A escolha entre medicamentos para tratamento da obesidade, sendo eles injetáveis ou não, nunca deve se basear apenas na preferência por comprimidos ou aplicações. O mais importante é encontrar uma estratégia segura, eficaz e compatível com as necessidades de cada pessoa.

Entre os principais critérios avaliados pelo médico estão:

  • Grau da obesidade: o peso, o IMC e a distribuição de gordura ajudam a dimensionar os riscos e estabelecer metas de tratamento.
  • Histórico de saúde: pressão arterial, saúde cardiovascular, função renal e hepática, histórico de convulsões e outras condições podem limitar o uso de determinados medicamentos.
  • Medicamentos em uso: interações podem comprometer a segurança do tratamento ou aumentar o risco de efeitos adversos.
  • Rotina e preferências pessoais: facilidade de administração, tolerabilidade, custo e possibilidade de manter o tratamento influenciam a escolha.
  • Resultados esperados: o profissional considera a eficácia de cada opção, as condições associadas à obesidade e a resposta obtida ao longo do acompanhamento.

Os medicamentos injetáveis, como alguns agonistas do receptor de GLP-1, também podem ser indicados para o tratamento da obesidade. Eles apresentam mecanismos e perfis de eficácia diferentes dos medicamentos orais.

A decisão deve ser compartilhada entre médico e paciente, com informações claras sobre benefícios, riscos, contraindicações e expectativas realistas. Nem a via oral nem a injetável é automaticamente melhor para todas as pessoas.

Para saber mais, confira nosso conteúdo sobre canetas emagrecedoras e quem pode usar.

Como favorecer a perda de peso de forma saudável? 

Quando o assunto é emagrecimento, a pressa pode atrapalhar mais do que ajudar. O objetivo do tratamento é promover uma redução de peso clinicamente relevante, preservar a saúde e criar condições para manter os resultados ao longo do tempo.

Algumas medidas complementam o tratamento e ajudam a construir uma rotina mais saudável.

Invista em uma alimentação equilibrada. Priorize alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, feijões e cereais integrais. Fontes de proteína e gorduras saudáveis também fazem parte de uma alimentação variada. Um nutricionista pode ajudar a adaptar as escolhas às necessidades individuais.

Mantenha o corpo em movimento. Caminhadas, dança, bicicleta, musculação e outras atividades adequadas à sua condição física contribuem para a saúde metabólica e cardiovascular. O ideal é começar de acordo com sua capacidade e aumentar a regularidade gradualmente.

Cuide do sono. Dormir pouco ou ter um sono de má qualidade pode afetar os mecanismos que regulam a fome, a saciedade e a disposição. Criar horários regulares e buscar orientação diante de dificuldades persistentes ajuda a cuidar desse aspecto.

Encontre maneiras de administrar o estresse. Momentos de descanso, atividades prazerosas, apoio emocional e acompanhamento psicológico, quando necessário, podem ajudar a lidar com fatores que influenciam o comportamento alimentar.

Acompanhe os resultados com profissionais de saúde. O tratamento pode exigir ajustes ao longo do tempo. Consultas regulares permitem avaliar a evolução do peso, os indicadores de saúde, os efeitos adversos e a necessidade de manter ou modificar a estratégia.

Vale lembrar: não aumente doses, combine medicamentos ou utilize produtos para acelerar o emagrecimento sem orientação profissional. Perder peso mais rapidamente não significa, necessariamente, obter um resultado mais saudável ou duradouro.

Leia também sobre hábitos que impactam o peso.

Tratamento medicamentoso da obesidade: informação e acompanhamento fazem a diferença

A obesidade é uma doença crônica que merece cuidado contínuo, individualizado e livre de julgamentos. Quando existe indicação clínica, os medicamentos podem ser aliados importantes, seja por via oral ou injetável. Mas nenhum deles substitui a avaliação médica, a alimentação equilibrada e as mudanças de hábitos necessárias para cuidar da saúde.

A sibutramina, o orlistate e a associação de naltrexona com bupropiona são alternativas orais com mecanismos de ação diferentes. Conhecer suas características é um primeiro passo para conversar com o profissional de saúde e entender quais possibilidades fazem sentido para cada caso.

Antes de iniciar qualquer tratamento, procure orientação médica e esclareça suas dúvidas sobre indicações, contraindicações, efeitos adversos e acompanhamento. O melhor tratamento não é necessariamente o mais conhecido ou o que promete resultados mais rápidos, mas aquele que apresenta uma relação favorável entre benefícios e riscos para você.

A Araujo acompanha as opções disponíveis no mercado para ajudar você a encontrar informações sobre medicamentos e cuidados com a saúde. Conte com fontes confiáveis e orientação profissional para fazer escolhas conscientes.

Este artigo foi revisado pelo farmacêutico técnico Hairton Ayres Azevedo Guimarães CRF 10.965

Fontes: 

Organização Mundial da Saúde

Ministério da Saúde – Vigitel

ABESO – Diretriz Brasileira de Tratamento Farmacológico da Obesidade

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